26 dezembro, 2009

Esqueléctico Amor




Ter o lugar dos meus olhos
encostados ao teu peito…
Resolvêramos testar
despidos das vestes humanas
o nosso amor.
Talvez houvesse uma consistência
loucura, labirinto, infinito
no toque afectuoso dos ossos
sentimos, pasme se, uma doçura
sacropélvica ternura, o som dos toques
calcificantes espasmos
quando me afagaste o fremente fémur
tua mandíbula mordendo ,o estribo ardente
os olhos dilatados
[ se os tivéssemos] p’la invasão
da embriaguês, mil e uma fantasias
uma luz neón, de pluma leve
escrevendo caminhos ofegantes
em sustentáculo responsável
os esqueletos
em frenesim…

Sim!Sim!Sim!


18 dezembro, 2009

ARTE DIGITAL por María Cecilia Foulon

Nos gusta el trabajo de María Cecilia Foulon por ello lo divulgamos y lo compartimos.

15 dezembro, 2009

Saturno, Jesus Cristo e Papai Noel

Nessa época de final de ano costumam aparecer, aqui e acolá, críticas esparsas ao consumismo desmedido em que se transformou o natal. O verdadeiro espírito natalino seria uma invocação dos preceitos cristãos de amor universal e solidariedade, através da celebração do nascimento de Jesus. Sim, Jesus Cristo está sendo substituído por Papai Noel. A primeira aparição do Santa Claus – leio em Espelhos, livro do Eduardo Galeano – foi em 1863 na revista Harper's. Criado por um desenhista, era um gnomo rechonchudo em trajes verdes ou azuis. Ainda segundo o Galeano, quando a Coca Cola contratou o Papai Noel, em 1930, ele ganhou a cara e as cores que hoje conhecemos. Papai Noel é tão artificial quanto o refrigerante que o divulgou mundo afora. Realmente, onde fica Jesus nessa história?
Ocorre que o mundo nem sempre foi cristão. O que havia antes de Cristo? Na antiguidade europeia havia o politeísmo pagão. Não é novidade que a igreja católica, a primeira igreja cristã, incorporou na sua liturgia algumas datas e referências pagãs. Proibiu os rituais antigos e depois de alguns séculos de brutalidade, pimba: Natal em vez de Saturnálias, Semana Santa em vez de Festa Hilária. (Não perca a deliciosa leitura do livro do Galeano, ele fala das Saturnálias no capítulo 'O mundo ao contrário caçoava do mundo' e da festa da hilariedade em 'É proibido rir'.). Quando o natal tornou-se cultura, será que os adeptos do politeísmo antigo, na hipótese de algum ter escapado à opressão católica, perguntavam-se onde fica Saturno nessa história?
Embora a igreja católica não detenha o mesmo poder dantes, o cristianismo ainda é hegemônico no ocidente. Já o consumismo do Papai Noel transcende as religiões – cristãos, muçulmanos, judeus, budistas, ateus, macumbeiros – todos podemos consumir. Na dependência das nossas condições econômicas podemos pagar à vista ou em n parcelas, está ao alcance de qualquer um a possibilidade de aproveitar as ofertas noelinas e trocar de celular, carro, roupas, sapatos, brinquedos, televisores etcetera. Papai Noel pode ser mais universal que Jesus Cristo.
É interessante que a substituição do significado cristão do natal para a compulsão de consumo está sendo muito rápida. O consumismo tem uma ferramenta, a publicidade, que cria a necessidade psicológica de se ter certas coisas. Não necessita se valer da força, da proibição e da fogueira, como fizera o cristianismo católico; pelo contrário, no mundo do consumismo prega-se as liberdades individuais e o acesso a bens de consumo como direitos humanos.
O significado cristão do natal já está relegado ao segundo plano e pode acabar completamente esquecido num futuro próximo, da mesma forma que os castos rituais cristãos tomaram o lugar das formidáveis festas da antiguidade. Naquela época, o natal cristão em detrimento das Saturnálias certamente soava artificial, como hoje nos parece artificial o consumismo noelino em detrimento do espírito cristão. Será que a humanidade chegará ao ponto de acreditar que o Papai Noel realmente existiu?

08 dezembro, 2009

Hoje

Provável comentário do caipira:
A sapaiada se ouriça na chuva.
Possível resposta de quem estava distraído:
Ouriço-do-mato?

Sentença que os trabalhadores de são paulo gostariam poder cumprir:
Se continuar a chover assim, amanhã não saio de casa.
E o caipira concorda:
Amém, você não é sapo.