29 maio, 2009

Imagens do Oriente - São Paulo - 2009

Imagens do Oriente 2009

Este projeto surgiu há poucos anos, fruto do encontro de jovens cineastas iranianos com estudiosos brasileiros, árabes e descendentes. Desde o princípio ficou claro que não gostaríamos de apenas mostrar como vemos certas sociedades mais a leste do oceano Atlântico, e sim de possibilitar que elas mesmas se representem, trazendo sua produção artística diretamente ao Brasil sem passar pelo filtro dos aclamados festivais europeus e norte-americanos.

Na presente versão, Imagens do Oriente exibe uma série de filmes árabes, iranianos, turco e curdo, ou relacionados a populações muçulmanas como os bósnios da ex-Iugoslávia. Ou, ainda, o numeroso povo Uighur da China, convertido ao islamismo após as incursões árabes em séculos longínquos, que mantém até hoje a religião islâmica e o emprego do alfabeto árabe, além de práticas como a de “andar na corda bamba”, atribuída a esse antigo contato. Do conjunto sobressai uma rica diversidade, de origem étnica, de idioma ou de religião.

Caminho e Caminham Atrás de Mim as Estrelas

A guerra, ou a vida em meio a ela, aparece quase como uma constante na expressão cinematográfica dos países em questão. Vincado pela resistência às vezes heróica das pessoas envolvidas, o tema surge em documentários ou em ficções sobre perguntas íntimas que afloram não obstante as ofensivas militares, sendo por estas reprimidas ou aguçadas. Na medida em que as narrativas se revelam delicadas e complexas, cai por terra o senso comum do momento – de que os habitantes dessas regiões conflagradas naturalmente se inclinam à discórdia. Em última instância, dada a realidade do conflito bélico lá imposta por diferentes motivos, fica-se com a sensação de que as histórias convergem para a hipótese ventilada pelo grande poeta árabe Adonis: “Nada justifica a guerra”. É o que se constata no docu-ficção Caminho e caminham atrás de mim as estrelas, que fecha a seleção com encanto e graça. O filme revolve de maneira algo incômoda a polêmica sobre a busca da identidade, que pode estar no passado, numa trajetória de família não por acaso imigrante, ou no futuro, na projeção de nossos anseios.

Meu Marlon e Brando

Paralelamente às sessões de Imagens do Oriente, preveem-se encontros com cineastas estrangeiros convidados, numa iniciativa que busca ampliar o diálogo dos profissionais da área, expondo ao público o que há de mais recente na filmografia de um grupo de nações heterogêneo e multifacetado. Evidencia-se a pluralidade do assunto já no saguão do CineSESC com a exposição fotográfica Outono em Cabul, sobre o Afeganistão, que captura o olhar e oferece a oportunidade de conhecermos mais de perto alguns lugares dos quais atualmente muito se fala mas pouco se informa.

Agradecemos antes de tudo ao espectador, que se arrisca sempre ao entrar na sala escura disposto e aberto a uma nova experiência estética e sensorial. Estendemos o agradecimento a todos os amigos, por dispensarem seu tempo na realização desta Mostra; ao Centro de Cinema Documentário e Experimental do Irã; às fundações particulares apoiadoras. E nosso muito obrigado vai também para as instituições que nos acolhem: o Instituto da Cultura Árabe, que soube encampar Imagens do Oriente desde o início; a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo, o Centro Cultural São Paulo e a Galeria Olido; e o SESC–SP, que teve papel fundamental no processo de elaboração deste evento.

Os organizadores

Xanana em Angola

Enviado por AVeríssimo - Fábrica dos Blogs

Xanana em Angola - UM BREVE MOMENTO DE SATISFAÇÃO

Por ANA LORO METAN

Xanana Gusmão já está em Angola há uns dias e tem-se desdobrado em encontros e reuniões com os seus pares da CPLP na qualidade de primeiro-ministro e de todas as outras pastas de que é titular.

Com alguma propriedade será legítimo salientar que a sua presença tem sido bastante saudada e que tem suscitado o interesse da sociedade angolana, assim como a simpatia dos seus congéneres dos diferentes países da CPLP, apesar de existir a consciência do seu papel negativo no passado ano de 2006.

Nesse ano bastantes angolanos chegaram a profetizar que algo poderia vir a acontecer de semelhante a Angola, a divisão da sociedade e uma guerra civil fratricida. Felizmente não foi o que se mantivesse nos tempos, apesar de quase uma centena ter perecido para que ele conseguisse os seus objectivos.

Não se trata de agora entregar o ouro ao bandido e muito menos de enaltecê-lo pelas passadas e reprováveis atitudes, contudo não podemos ignorar o seu comportamento desde que pisou solo angolano. Até agora nem uma mácula de comportamentos ou declarações mesquinhas – nele habituais – saiu daquela boca relativamente ao papel dos que se lhe opõem, mais concretamente da Fretilin.

Verdade seja dita que ainda ninguém o confrontou com os vários casos de corrupção a ocorrer no país, em Timor, nem com o défice de democracia, mas isso entende-se perfeitamente que seja um tabu em que não interessa mexer num dos países mais corruptos do mundo e que tão tardiamente está a abrir-se para uma rara espécie de democracia, Angola. Nesse aspecto, raramente tocam os jornalistas angolanos ou fazem menção de o fazer a sério. Os que tocam nesse tema podem fazer as malas apressadamente e viajar para outro país, se entretanto não forem parar a uma cela mal cheirosa. Não seria o primeiro caso, nem será o último. É somente uma questão de insistir e de cair em desgraça.

Nesse aspecto, Xanana Gusmão, se quiser, pode levar daqui riquíssimas lições. Presumo que ele esteja interessado, apesar de o modelo ser repetidas vezes aplicado pelo mundo em países que até se dizem democráticos e nem estão assim tão mal classificados nos rankings mundiais das várias organizações internacionais que se dedicam a fazer umas listagens muitas vezes incoerentes e por isso repletas de descrédito.

Apesar de todos estes contras é certo que Xanana Gusmão tem mostrado capacidades que têm surpreendido os seus homólogos da CPLP pela positiva e tem feito perceber ser séria a sua vontade de abraçar com mais intensidade a lusofonia e as relações com os Palops, sobretudo com Angola. Essa postura sempre nos trás alguma satisfação, até que enfim.

Sendo assim, e tudo parece indicar que é, quererá o PM Xanana Gusmão mostrar aos anglófonos governantes e empresários do país vizinho, a Austrália, que a lusofonia tem pernas para andar em Timor-Leste e que não será por isso que o desenvolvimento de Timor não acontecerá? Há quem considere que sim.

Seja como for, creio que poderemos regozijarmo-nos pelo comportamento do PM de Timor nesta sua primeiríssima visita a Angola na qualidade de titular de três ministérios. Experimentemos esta satisfação, tão rara nestes últimos tempos relativamente ao personagem que antes era adulado pelas multidões. Mas isso foram tempos que já lá vão e o que agora importa é satisfazermo-nos com o pouco que nos é dado a presenciar uma vez por outra. Quase que me apetece agradecer mas como sei que esta decência seria a que Gusmão deveria exibir e ter normalmente não o faço.

É bom, este breve momento de satisfação.

27 maio, 2009

Sarau na Brasilândia


1° Sarau do Coletivo Literatura Suburbana
Salve Rapá,
Ae convidamos a todos pro Nosso 1° Sarau, que será essa sexta dia 29/05 as 20 horas, na Av. João Paulo I, 1671 - Freguesia do Ó, Na Ong Mensageiros da Esperança.
Esta é mais uma ação para fortificar a cena da Literatura na região, espaço aberto para todos, poesias, rap, teatro, mpb!!!
Também vamos fazer o 2 lançamentos;
1° Lançamento da Coletanea "Poetas Suburbanos 2", com os poetas; regicida, marcos dalama, patricia novaes, juninho 13, alessandra aguiar, Tatiana Silva e Anna Carolina.
2° Lançamento oficial do Projeto "Produção Suburbana", aprovado pelo edital do Programa VAI 2009...
Conto com todos...
Segue convite

(Esse texto foi escrito pelo Israel do coletivo Literatura Suburbana)

25 maio, 2009

Things they left behind

As you may know, I came to Brasil in October 2008 to "photograph the Chinese diaspora." I met many Chinese families from all over China, and through some connections in the United States, I got in touch with several families who immigrated to Sao Paulo from a small village in Guangdong province, China.

In May 2009, I went to this village, called "Sha-Lan," where over half of the population is abroad and a large number has moved to Sao Paulo. I got in touch with some of the relatives of families in Sao Paulo, who showed me the empty homes they had left behind.

I posted earlier on my blog with some black and white photos from Taishan County, where "Sha-Lan" village is located. The mood in Sha-Lan was somber, a quiet place where many of the houses were empty. Paradoxically, the largest, nicest houses were the empty ones -- the houses built by those Chinese who went to Brasil, the United States, or elsewhere. I felt I had come full circle, to see the very homes of people I met in Brasil, to see their stuffed animals, posters, photos, empty dishes -- things they left behind.

The village was, in a way, very sad. There were few if any jobs, the soil was poor for agriculture. People seemed to be subsisting off the money they got from pensions, money sent from overseas, or money from odd jobs.



Eu vim para o Brasil em outubro de 2008, para tirar fotos da "diáspora chinesa." Conheci muitas famílias chinesas provenientes de toda a China, e através de algumas pessoas nos Estados Unidos, eu tenho contato com várias famílias que imigraram para São Paulo a partir de uma pequena aldeia na província de Guangdong, na China.

Em Maio de 2009, fui a esta aldeia, chamada "Sha-Lan", onde mais de metade da população está no estrangeiro e um grande número se mudou para São Paulo. Tenho contato com algumas das famílias de parentes em São Paulo, que me mostrou o vazio casas que haviam deixado para trás.

Eu postadas anteriormente no meu blog com algumas fotos a branco e preto de Taishan Concelho, onde "Sha-Lan" aldeia está situada. O humor em Sha-Lan foi sombrio, um lugar calmo onde muitas das casas estavam vazias. Paradoxalmente, a maior, mais bonitas casas foram para os vazios - as casas construídas por aqueles que se deslocaram chinesas para o Brasil, Estados Unidos, ou noutro local. Senti que tinha chegado o círculo, para ver a própria casa de pessoas que encontrei no Brasil, para ver os seus animais empalhados, cartazes, fotografias, pratos vazios, livros poeirentos - coisas que eles deixaram para trás.

A aldeia foi, de certa forma, muito triste. Houve poucos ou nenhuns postos de trabalho; a terra era pobre para a agricultura. As pessoas pareciam estar subsistente fora o dinheiro que tenho de pensões, o dinheiro enviado do exterior, ou dinheiro de biscates.


Living room in an empty house. Family has moved to Sao Paulo.

Girl works in a restaurant in Mogi das Cruzes.





This family lives near the center of Sao Paulo. They haven't been back in over ten years.

This word means "Fortune."

Kitchen.

24 maio, 2009

VUL VA (CÂ) NICA


Menstrual para afogar
as forças testiculares e telúricas do Pai.
A Mãe.
Caverna ou cova vulva mater revisitada,
de uma outra boca, verbo da boca
crua e doce.
Vulva virgem e viúva, negra da aranha?
Para não dizer lábios de língua lésbica dos
LÁBIOS DA VULVA..
A vagina é viva por e de Vénus,
vitalidade vúlvica rasga os ventres.
No minete, será Vulcano?
Ora, ora, uma vulva sempre virgem,
a Mariana, apesar dos filhos dos filhos…
A visão vincula as vulvas ou o contrário?
De seiva vermelha vincada é regular ou não.
Alguns dizem:
Vulva vampírica de dentes cerrados.
O vampiro suga, não jorra sangue.
Um pennis mastro, para navegar…
uma ideia dos oceânicos…
vulva de fogo queimando…
O QUÊ ???
A volva da serpente se dentada é víbora.
Fenda.
Fendada se em mãos de fada.
Fendida se em mãos de ferida.

20 maio, 2009

MST - V Encontro Nacional de Violeiros e Violeiras - Ribeirão Preto, Brasil

V Encontro Nacional de Violeiros e Violeiras

“os Mestres e Mestras do Saber Popular”

Data: 23(sábado) a 24 (domingo) de maio de 2009.

Local: Centro de Formação Sócio Agrícola Dom Hélder Câmara (Sítio Pau d’Alho) -

Rodovia Alexandre Balbo Km 328, Anel Viário Contorno Norte -

Ribeirão Preto / SP - (16) 3975-2343 ou 9233-8439.

O encontro é organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Associação Nacional de Violeiros (ANVB). Sendo a 5ª edição, todas elas têm um tema, este dará destaque aos Mestres e Mestras do Saber Popular. Serão homenageados mestres e mestras de Fulias de Reis, Cantadores, Cururu, Samba, Oralidade Popular, e outras categorias dentre as quais estão os mestres e mestras da luta: Luís Beltrame / SP, Elizabete Teixeira/ PB, João Eleotério / MT e outros/as, pois, o Encontro está dentro da agenda nacional dos 25 anos do MST, sendo reconhecido como um espaço que representa uma das estratégias políticas de luta do movimento – a cultura como elemento organizativo e político da classe trabalhadora.

A programação consta de oficinas, seminários, apresentações artísticas, exposição e feira.

Oficinas (restritas ao público do MST) - 21/05 (quinta) e 22/05 (sexta).

Seminário dos 25 anos do MST - 22/05 (sexta).

Apresentações culturais de viola, manifestações da cultura popular e Feira da Reforma Agrária e comidas - 23/05 (sábado) e 24/05 (domingo).

“É desejo de que a aurora

nos traga um canto novo e liberto”

Lucília Romão

19 maio, 2009

Biblioteca multimédia on-line da Europa

Inaugurada biblioteca multimédia on-line da Europa

A biblioteca multimédia on-line da Europa, "Europeana", está acessível desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia. Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa de 1784.
Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço http://www.europeana.eu/ a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções. Segundo a Comissão Europeia, que lançou esta iniciativa em 2005, este é "apenas o começo", pois a ideia é expandir a biblioteca, envolvendo também o sector privado, e o objectivo é que em 2010 a Europeana dê acesso a pelo menos dez milhões de obras "representativas da riqueza da diversidade cultural da Europa e terá zonas interactivas, nomeadamente para comunidades com interesses especiais".


"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas grandes colecções", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Por seu turno, a comissária europeia para a Sociedade da Informação e os Meios de Comunicação, Viviane Reding, apelou "às instituições culturais, editoras e empresas de tecnologia europeias para que alimentem a Europeana com mais conteúdos em formato digital".


Segundo dados da Comissão, desde a "abertura" da biblioteca, hoje de manhã, houve dez milhões de visitas por hora, tendo esta "tempestade de interesse" forçado mesmo a "deitar o sistema abaixo" por algum tempo para duplicar a capacidade do "site".

Diáspora Chinesa

Publicado no blog "O Bairro Chinês"
http://cedricbien.blogspot.com/2009/05/map-of-chinese-diaspora.html

Qual o mapa da diáspora chinesa?
http://www.wallpaper.com/madeinchina/diaspora

15 maio, 2009

Coletivo Literatura Suburbana

Segue informações sobre uma oficina que o Coletivo Literatura Suburbana está realizando no Centro Cultural de Juventude.

Coletivo Literatura Suburbana
Convida a todos para o segundo encontro do Projeto Produção Suburbana
Nesse segundo encontro nosso tema norteador será:
"A literatura a Serviço de Quem ou do Que",
com Akins Kinte, que levará uma reflexão!!!
Aguardamos a presença e colaboração de todos!

http://www.literaturasuburbana.blogspot.com

Literatura Suburbana, é um coletivo da Zona Norte de São Pulo, Brasilândia, que trabalha com a Cultura Hip Hop, A cultura afro e desenvolvimento da Lei 10.639/03 e a Literatura marginal, escrita por moradores das comunidades.
Desenvolvemos Shows, palestras, eventos, cursos, oficinas, exposições e diversas atividades que contemplam essas vertentes acima citadas.

O coletivo é uma das 100 iniciativas Aprovadas pelo Programa VAIda Sec. da Cultura de SP, com uma proposta educativa e produtiva que merecem a atenção de todos.Um dos primeiros passos do Projeto terá sua inauguração no dia 29.05com o lançamento do segundo livreto "POETAS SUBURBANOS"uma coletanea de poesias, contos, cronicas, rap.

Da Periferia para a Periferia



11 maio, 2009

Nova Zelda

Senhores, a Banda Zelda Scotch & Os Psicoativos está com nova formação, colocamos sangue adolescente cheios de talento, Talita a tecladista, flautista, violonista e cantora e o não menos talentoso Diego, capaz de segurar o balanço em sons extensos.
Bom é isso,
Abraços,
Feijão.

10 maio, 2009

Desencontros

O que findaria os desatinos
ao retornar ao ponto de partida
os desvairios
hão de encontrar

do que não está ao pé
é como que um terraço
sobre a cabeça do mundo
onde pisarei matéria e espaço

do oculto e elíptico
ao travo do traço Sufi
retalhos de almas e trapos
e dos tragos...
entre Pessoa e Attar.

08 maio, 2009

“Privatização dos serviços públicos avança no Rio, com aprovação das OSs

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

Manifestantes da saúde e da educação protestaram veementemente, mas não conseguiram impedir que a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovasse, na noite desta quarta, 29, por 37 votos a 11, o projeto-de-lei que permite à prefeitura contratar as chamadas “Organizações Sociais” – “OSs” – para gerir órgãos públicos nas áreas de saúde, educação, cultura, meio ambiente, esporte, ciência e tecnologia. Com isso, avança o processo de privatização de serviços públicos essenciais para a população e o município se desobriga dessa responsabilidade.

A proposta encaminhada pelo Prefeito Eduardo Paes recebeu emendas, mas que não trouxeram alterações substanciais ao projeto original. Houve protestos de sindicalistas e representantes de movimentos sociais que lotaram as galerias e checaram a cerca o prédio da Câmara. A polícia foi chamada para reprimir os manifestantes. A matéria ainda será submetida a uma segunda votação na Câmara. Logo após a votação, a CUT-RJ emitiu a seguinte nota oficial, que reproduzimos:


Projeto das OSs :”lobo em pele de cordeiro”

A justificativa oficial para a criação no âmbito do município do Rio das organizações sociais (OSs), para gerir unidades de saúde, educação, cultura, meio ambiente, etc, é a modernização e a racionalização da gestão.

Ledo engano. Ao se omitir de sua obrigação constitucional de garantir o acesso universal a serviços públicos essenciais, o Executivo municipal não só abre caminho para a precarização desses serviços, como também institucionaliza a promiscuidade entre os interesses público e privado na esfera pública.

Vale destacar que as OSs são irmãs siamesas das fundações de direito privado que os governos do estado e federal insistem em implantar, a despeito das posições frontalmente contrárias da Conferência Nacional de Saúde, do movimento sindical dos servidores, da CUT e de outras centrais, de parlamentares, de partidos do campo democrático-popular e de especialistas em gestão pública que rejeitam o ideário neoliberal.

A CUT-RJ, fiel à sua longa trajetória de luta em prol da valorização dos servidores e do serviço público, alerta para o dano irreparável que a eventual aprovação do projeto das OSs pode causar aos milhões de cariocas que demandam os serviços públicos da prefeitura e conclama o movimento sindical e popular a pressionar os vereadores pela rejeição do projeto.”

06 maio, 2009

Bazar da Praça - São Paulo - SP.

África Viva

Prezados amigos,


Sou o Luis Kinugawa, Presidente do Instituto África Viva , Diretor Artístico

de Fanta Konatê e Petit Mamady Keita e Criador da Biomúsica Sem Fronteiras.

CONVITE

Convido para virem conhecer o trabalho Artístico, Social e Humanitário do Instituto África Viva, em Pinheiros, SP, neste sábado, 09/05 das 15 às 18h


    PÚBLICO ALVO
    PROFISSIONAIS que trabalhem com :

  • PRODUÇÃO ARTÍSTICA,

  • CAPTAÇÃO DE RECURSOS,

  • TERCEIRO SETOR

  • AGENCIAMENTO DE SHOWS,

  • ELABORAÇÃO DE PROJETOS E

  • ASSESSORIA DE IMPRENSA :


OBJETIVO GERAL
A MINHA PROPOSTA É CONHECER E CONTACTAR PROFISSIONAIS QUE DESEJEM DESENVOLVER PARCERIA PARA A PRODUÇÃO DE SHOWS, OFICINAS, EVENTOS, JANTARES AFRICANOS, PROJETOS DE ARTE EDUCAÇÃO, FILMES, COM A TEMÁTICA DA ÁFRICA, DANÇA E PERCUSSÃO E TRABALHOS HUMANITÁRIOS.



BREVE HISTÓRICO
Chegando ao Brasil em 2003, eu e Fanta Konate iniciamos um grupo de dança, cantos e percussão Mandinga (Guiné), e a partir daí desenvolvemos outros trabalhos também como Jantares Africanos, Palestras sobre a história do Manden e sua arte, Oficinas de Dança e Djembe, Mostras de vídeo, Roda de Djembê e Oficinas de Biomúsica Sem Fronteiras.


OS ARTISTAS
Temos um trabalho único no Brasil e inédito em seu nível artístico; FANTA KONATÊ, FADIMA KONATÊ e PETIT MAMADY KEITA são artistas africanos Virtuosos. O Pai de Fanta é o Mestre FAMOUDOU KONATE e integrou o balé Nacional da Guiné, "LES BALLETS AFRICAINS" por 26 anos, e veio ao Brasil para uma única apresentação no Rio de Janeiro, em 1968 - Assistam o vídeo daquela Turnê : http://www.youtube.com/watch?v=83cBH_SEsvA


ATIVIDADE PROPOSTA

PROPONHO um encontro na sede do INSTITUTO ÁFRICA VIVA, no DIA 09 de MAIO, 15h às 18h, para que eu lhes apresente os nossos "PRODUTOS", isto é, amostras de nossos trabalhos dos diferentes Núcleos:

1- Núcleo CENTRO CULTURAL FAMOUDOU KONATÊ- Área CULTURAL EDUCACIONAL - Difusão e Ensino da Cultura Africana
Farei uma Palestra sobre a Arte da Guiné - Dança e Música Malinkê desde o Império Mandinga (Séc XIII)

2- Núcleo BIOMÚSICA SEM FRONTEIRAS - Área SOCIAL HUMANITÁRIA - Vivências para o desenvolvimento humano
Faremos uma RODA DE TAMBORES, facilitada pela Biomúsica. (TRAGAM SEUS TAMBORES DE MÃO - BONGÔS, CONGAS E DJEMBÊS)

3- Núcleo FANTA KONATÊ E PETIT MAMADY KEITA - Área ARTÍSTICO PERFORMÁTICA - Shows de dança e percussão tradicional, contemporânea, live percussion com DJs, BBoys, combinações com música eletrônica e diversos estilos.
Faremos um POCKET SHOW de Danças e Percussão Africana.


INVESTIMENTO
O Evento é Gratuito, e peço que me confirmem a presença por email ou telefone, ANTECIPADAMENTE.

Indiquem a outros produtores e profissionais das áreas descritas em PÚBLICO ALVO.



Agradeço a atenção, indicando nossos vídeos no youtube e anexando o texto que comprova a descendência direta do povo Brasileiro ao povo Africano desta região que trabalhamos: A REPÚBLICA DA GUINÉ.

Luis Kinugawa



OBS: DIA 24/05 CELEBRAREMOS O DIA DA ÁFRICA com Almoço Africano, Palestra sobre a Cultura da Guiné, Mostra de Vídeos e POCKET SHOW DE FANTA KONATÊ e PETIT MAMADY KEITA

Das 12h às 20h no BAMBU BRASIL BAR - Rua Purpurina, 272 - Vila Madalena - São Paulo - SP

CONVITES ANTECIPADOS - 30 reais CONVITES NA ENTRADA - 35 reais

MAIORES INFORMAÇÕES E CONVITES ATRAVÉS DOS CONTATOS ABAIXO






Site: www.fantakonate.com e www.africaviva.org.br
Ouvir faixas do CD: www.myspace.com/fantakonate
Telefones: 11 3368-6049 11 9671-1477
Skype : djembedon1
Email: institutoafricaviva@gmail.com
MSN: institutoafricaviva@hotmail.com

Vídeos no youtube :

http://br.youtube.com/watch?v=BWWpgMiaSUA (NOVO - Krin 2009)

http://www.youtube.com/watch?v=l2T1oKqyGZ0 (2008 Tour)

http://www.youtube.com/watch?v=9xZphipb6M4 (Festival de Brasília)

http://www.youtube.com/watch?v=j6kcv4NG1Qw (Petit Mamady no Brasil)

http://br.youtube.com/watch?v=cCa1ep-xC3U (Iniciação de Petit Mamady)

http://www.youtube.com/watch?v=LftVba-O4SE (com Orquestra Tom Jobim)

http://www.youtube.com/watch?v=ezEzXZ0SOxY (com Rita Ribeiro no show de
Simone Sou)

http://www.youtube.com/watch?v=M7cO-9JWHwo (com Meninos do Morumbi)

http://br.youtube.com/watch?v=_KNBV78OI64 (com Rita Ribeiro no show de
Simone Sou 2)


Vídeos da Biomusica (Trabalho Humanitário com Tambores)

http://www.youtube.com/watch?v=YNDSAHhHsnI (África)
http://www.youtube.com/watch?v=FJFHdT8aAxE (Brasil)



Maranhão, terra Mandinga
Matthias Röhrig Assunção
Universidade de Essex, na Inglaterra

A etnicidade dos escravos africanos e de seus descendentes nas Américas é um tema amplo, complexo e polêmico. Amplo devido ao volume do tráfico negreiro (ao redor de 14 a 15 milhões, Justificarsegundo os cálculos mais recentes) e à multiplicidade dos grupos étnicos deportados para as Américas. Complexo porque a etnicidade dos escravos e de seus descendentes crioulos, longe de constituir identidades imutáveis e fixas, foi submetida a processos constantes de re-elaboração dos dois lados do Atlântico. Assunto polêmico, finalmente, porque essas identidades constituem, até hoje, referências importantes na vida dos afro-descendentes e nas culturas do "Atlântico Negro".

A intenção deste artigo é tentar contribuir com o debate em torno das etnicidades afro-maranhenses, procurando resgatar a importância da cultura Mandinga, que, ao meu ver, foi até agora bastante desdenhada tanto por estudiosos quanto pela comunidade afro-maranhense. Inicio com alguns comentários introdutórios a respeito das "nações" e do tráfico negreiro para, em seguida, apresentar as primeiras evidências que demostram que o Maranhão é, talvez, mais do que qualquer outro estado brasileiro, uma terra Mandinga.

Mesmo constituindo consenso entre estudiosos, não é ainda bem divulgada entre o público mais amplo o fato que as "nações" africanas no Novo Mundo não derivaram necessariamente de "tribos" africanas de contornos bem definidos, mas, muitas vezes, das vicissitudes do tráfico, do interesse comercial dos negreiros e das necessidades dos cativos de reinventar uma identidade. As ‘nações’ podiam resultar, dessa maneira, do nome de uma entidade política (um reino), de uma língua comum a vários grupos étnicos ou simplesmente de um porto de embarque no litoral africano. A "nação" Angola, por exemplo, tem sua origem no porto e feitoria de Luanda, capital do reino de Angola, onde eram embarcados escravos procedentes das diferentes etnias e estados ao redor dessa colônia portuguesa. Como compartilhavam uma base cultural e lingüística comum, os Angolas, como os Cabinda e os Benguela, acabaram constituindo uma "nação" no Brasil. Mas trata-se de uma etnicidade nova, colonial.

Igualmente complicado e polissêmico é o significado do termo Mina. O termo deriva da feitoria e forte de El-Mina, no atual Ghana. Negros Minas eram todos os escravos embarcados nesse porto, independentemente de sua real origem étnica. Podia incluir negros oriundos de centenas de quilômetro mais ao Leste, do litoral da atual Nigéria e do Benin, como também de regiões situadas mais ao interior, incluindo a zona subsaariana do Sahel, residência dos fulas e peuls.

Não é de se estranhar, portanto, que estudiosos que trataram do assunto tenham incluído, debaixo do termo genérico Mina, grupos étnicos na circunferência do famigerado forte. Nina Rodrigues foi o primeiro a sugerir que muitos negros Mina fossem originários dos reinos Fanti e Ashanti, no atual Ghana, devido à sua proximidade geográfica.( Nina Rodrigues, Os africanos no Brasil, 5. ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977, p. 147.) Nisso foi seguido por Artur Ramos, que dedicou uma seção aos ‘Fanti-Ashanti’ na sua discussão das culturas negras no Brasil, apesar de constatar que da cultura espiritual e material dos Fanti-Ashanti "nada ficou entre nós", com a exceção do termo Bosum.( Artur Ramos, As culturas negras no Novo Mundo, 4. ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1979, p. 209. )

Pesquisas mais recentes, no entanto, têm questionado essa asserção. Segundo Maria Inês Cortes de Oliveira, os portugueses, quando senhores de El-Mina, decidiram não vender negros desse litoral nem 10 milhas para o interior:

"Como posteriormente a Costa de Ouro passou sucessivamente para o controle dos holandeses e ingleses, a importação de cativos de origem Fanti e Ashanti ficou fora do raio de ação do tráfico português e brasileiro, que continuava a ser feito nos portos da Costa a Sotavento da Mina. Esses fatos mostram que, pelo menos desde o início do século XVII e durante o século XVIII, havia razões de sobra para que as populações da Costa do Ouro não fizessem parte dos contingentes africanos transferidos para o Brasil. O que podemos concluir é que o embarque de cativos dessa procedência, nos portos da Costa do Leste, se existiu, foi em tão pequena quantidade que nesse fato residiria a explicação dos pequenos vestígios que ficaram de sua passagem".( Oliveira, M. Inês Cortes de, "Quem eram os ‘negros da Guiné’? A origem dos africanos na Bahia". Afro-Ásia, no. 19-20, 37-74, 1997, aqui p. 62-63.)

Essa pequena revisão de dois autores clássicos dos estudos afro-brasileiros poderia não ter maiores conseqüências. Acontece, porém, que essa idéia sugerida por estudiosos, ou seja, de que numerosos escravos de procedência Fanti e Ashanti teriam desembarcado nas praias brasileiras e trazido com eles suas crenças e culturas, encantou líderes de comunidades religiosas influentes e passou a integrar um processo poderoso de reinvenção das tradições no Maranhão. Em São Luís, o terreiro Fanti-Ashanti, do Pai Euclides, é uma referência fundamental no universo do Tambor de Mina e do Candomblé do Maranhão, de maneira que podemos considerar Fanti-Ashanti uma "nação" afro-maranhense. Esse exemplo mostra como a cultura popular e a pesquisa acadêmica entretêm relações de influência mútuas, que vão além da simples dicotomia objeto de estudo – pesquisador.

Mas o que nos dizem as fontes históricas a respeito das etnias dos escravos maranhenses? Uma série de pesquisas monográficas, realizadas nas últimas décadas, contribuiu para um conhecimento mais preciso sobre o tráfico transatlântico de escravos.( Para uma síntese recente, ver Klein, Herbert S., The Transatlantic Slave Trade, Cambridge, Cambridge University Press, 1999. ) Esses estudos analisaram a organização do tráfico, as sociedades africanas, a viagem dos tumbeiros (o "middle passage") e o impacto do tráfico do lado americano. Tais estudos acabaram renovando a visão que tínhamos desse comércio. Mostram, por exemplo, que os traficantes europeus não eram todo-poderosos nas suas transações no litoral africano, mas tinham que negociar de maneira permanente com os reis e chefes africanos as condições do comércio e da aquisição de escravos. Estes não se contentavam com algumas bugigangas de pouco valor, mas exigiam produtos sofisticados como, por exemplo, armas, ferro produzido na Suécia ou tecidos da Índia.( Klein, Atlantic Slave Trade, p. 86-87; Thornton, John, Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400-1680, Cambridge, Cambridge University Press, 1992, p. 57-71.) Os europeus não estavam em condições de impor nem o sexo nem a idade dos cativos que adquiriram. Assim, a razão principal pela qual a maioria dos escravos deportados para as Américas era de sexo masculino reside não na procura do lado americano, como foi freqüentemente afirmado, mas na oferta do lado africano.

Infelizmente, o tráfico de escravos para o Maranhão não foi ainda objeto de maior atenção, com a exceção dos trabalhos de Manuel Dias e Antônio Carreira sobre o período da Companhia de Comércio.( Dias, Manuel Nunes, A Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão, 1755-1778, Belém, Universidade Federal do Pará, 1970; Carreira, Antônio, As Companhias Pombalinas de Grão-Pará e Maranhão e Pernambuco e Paraíba. Porto, Editorial Presença, 1983. Ver também MacLachlan, Colin M., "African Slave Trade and Economic Development in Amazônia, 1700-1800", In: Toplin, R. B. (ed.), Slavery and Race Relations in Latin America. Westport, p. 112-145, 1974.) Destarte, apesar do Maranhão ser a quinta província escravista na época da Independência - depois da Bahia, Minas, Rio de Janeiro e Pernambuco -, onde residiam então 8,9 % de todos os escravos no Brasil, não foi realizado, ainda, nenhum estudo monográfico sobre o tráfico de escravos para essa região. Tampouco há estatísticas fidedignas para todo o período do tráfico.( É significativo a este respeito que a compilação recente de Eltis, David, et. al., The Transatlantic Slave Trade. A Database on CD-Rom (Cambridge University Press, 1999) não contém nenhum dado sobre o tráfico negreiro para o Maranhão do período 1779-1818.) Além dos referidos estudos sobre a Companhia, existem somente estatísticas contemporâneas para os anos 1812-1828, repetidas ad infinitum pelos historiadores subseqüentes. Juntando as estatísticas e estimativas disponíveis, cheguei ao número global de 114.000 africanos deportados para o Maranhão.( Ver Matthias Röhrig Assunção, Pflanzer, Sklaven und Kleinbauern in der brasilianischen Provinz Maranhão, 1800-1850, Frankfurt, Vervuert, 1993, pp. 78-80.) Como esses dados não levam em consideração o tráfico clandestino e o tráfico por terra vindo da Bahia, é possível que esse número tenha chegado a 140 mil.

Em relação às origens étnicas, as melhores informações são da época da Companhia de Comércio do Maranhão e Grão Pará, que gozava de um monopólio real de comércio não somente no Norte do Brasil, mas também nos rios da Guiné. Esse monopólio estava longe de ser absoluto, pois o título "Senhor de Guiné", que o rei português ostentava, não significava um domínio português de fato sobre a região.(Carreira, António, Os portugueses nos rios de Guiné, 1500-1900. Lisboa: Litografia Tejo, 1984, p. 61, 63. Ver também McLachlan, "African Slave Trade", p. 120.) A Companhia pagava um tributo no valor de um conto por ano aos soberanos de Cacheu e Bissau para que estes permitissem o funcionamento de feitorias na área.( Carreira, Os portuguêses, p. 30.)

Em Angola, pelo contrário, a Companhia era obrigada a competir com outros negreiros portugueses ou mesmo de outras nações. Miller estima que a Companhia não embarcou mais de 8.000 escravos angolanos durante o período inteiro de sua atividade nessa região, de 1756 a 1782.( Miller Joseph C., Way of Death. Merchant Capitalism and the Angolan Slave Trade, 1730-1830. London: J. Currey, 1988, p. 574.) Como resultado, a grande maioria dos escravos levados para o Maranhão nos porões dos navios da Companhia durante o período 1757-1777 provinham da Guiné: 44 % deles foram embarcados em Cacheu, 43% em Bissau, e apenas 12% em Angola.( Dias, Fomento, I, p. 468.) Nos anos subseqüentes ainda foi significativo o número de escravos vindos dos rios da Guiné para o Maranhão e Pará. Entre 1788 e 1801, ainda foram embarcados 17.691 escravos de Cacheu e Bissau para esses dois destinos.( Carreira, Os portuguêses, p. 37, 67.) Esses números referem-se aos escravos embarcados, não aos que chegaram vivos no Brasil. A mortalidade era significativa tanto nos barracões, onde os escravos esperavam seu embarque, na África, quanto na própria travessia. É provável que o número de escravos embarcados na Guiné tenha caído muito depois de 1815, devido à proibição inglesa de tráfico de escravos ao Norte do Equador, acatada por Portugal.

Várias conclusões provisórias podem ser tiradas desses dados tão incompletos. Primeiro, que a contribuição dos escravos da Guiné à população escrava do Maranhão deve ter sido importante. Esse tema tem sido pouco explorado, apesar da origem étnica aparecer em vários tipos de fontes, como inventários e livros de óbitos. Octávio da Costa Eduardo levantou informação a esse respeito em 100 inventários de São Luís e Codó, contendo informação sobre a origem de 1.011 escravos, agrupados por quatro regiões.( Eduardo, Octávio da Costa. The Negro in Northern Brazil. A Study in Acculturation. Seattle and London: University of Washington Press, 1966, p. 7. Do total de 457 escravos nascidos na África, 70 foram registrados apenas como africanos e não foram considerados nessas percentagens.) O grupo mais importante dos 387 africanos com procedência indicada provinha da região de Angola/Congo (48 %). O segundo grupo maior provinha dos rios de Guiné (36 %). Apenas 13 % eram originários da Baia do Benin (Mina, Nagô e Calabar). Os Moçambique e Camunda representavam os 3 % restantes. Quais eram as procedências específicas mais importantes? 30 % dos africanos foram registrados como Angola, 14 % como Mandinga, 11 % como Mina, 10 % como Cacheu e 7 % Bijagó.

Essa preponderância dos escravos Angola e a significativa presença dos Mandinga são confirmadas pelo livro de óbitos da freguesia do Itapecuru-mirim, uma das principais áreas de plantation. O livro cobre a primeira metade do século XIX e menciona uma quinzena de "nações" de escravos negros falecidos. Ao lado dos escravos Mina, Angola, Benguela, Congo e Cabinda, aparecem especificamente sete etnias da Guiné: Mandinga, Papel, Bijagó, Fula, Balanta, Cassange e Nalu. Os Mandinga são, de longe, os mais freqüentemente mencionados (20), junto com os escravos denominados Angola (21).( "Livro de Óbitos da Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Itapecuru-mirim, 1807-1849", Arquivo da Arquidiocese, São Luís, Maranhão. Infelizmente um grande número de entradas não especifica a "nação" do falecido, contentando-se em assinalar que se tratava de um "preto" ou de uma "preta" escrava.)

Apesar da diminuição do tráfico proveniente da Guiné depois de 1810, os Mandinga continuaram a constituir um dos grupos étnicos mais significativos ao largo do século XIX. Numa partilha de bens de um fazendeiro de Guimarães, proprietário de 112 escravos, em 1844, os Angola constituem o grupo mais importante com 19, seguidos dos Mandinga, com sete escravos.( Ver a partilha amigável dos bens do Tenente Coronel Manoel Coelho de Souza, do 1.4.1844, in: Projeto Vida de Negro. Frechal, Terra de Preto. Quilombo reconhecido como reserva extrativista. São Luís: Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos, Centro de Cultura Negra do Maranhão, Associação de Moradores do Quilombo Frechal, 1996, p. 165-174.) Essas três fontes apontam para importância dos Mandinga, ao lado dos escravos Angola, na escravatura maranhense.

Mandinga (ou mandinka) refere-se a uma língua, uma região e um legado cultural. Hoje, vários dialetos Mandinga são falados por quase um milhão de pessoas na Guiné-Bisssau, no Senegal e na Gâmbia. A herança cultural remonta ao Império do Mali, um dos mais antigos grandes Estados no Ocidente Africano, que existiu entre aproximadamente 1200 e 1465. O Império do Mali controlava as rotas comerciais que atravessavam o Saara ocidental, negociando com ouro, cobre, escravos, sal e tecidos de algodão. Os seus soberanos, chamados "mansas", eram reputados por sua opulência e acabaram adotando o islã. O mais famoso, Mansa Musa, fez até uma peregrinação a Meca, em 1324, levando uma caravana de escravos e ouro. Os Mandinga são reputados por sua rica tradição musical e sobretudo por seus contadores de história e guardiões das tradições, os "griots". A contribuição desse grupo étnico e, mais geralmente, dos escravos provenientes dos rios da Guiné à cultura popular maranhense ainda não foi objeto de estudo, mas os dados apresentados aqui sugerem que deve ter sido muito mais importante do que geralmente se tem admitido. Seria importante levantar um léxico das palavras de origem africana usadas, ainda hoje, no Maranhão, para apurar a importância dos empréstimos de cada língua africana. Outra área onde existe um possível legado Mandinga é a culinária. O prato regional maranhense conhecido como arroz de cuxá é, provavelmente, de origem Mandinga, como sugeriu Antônio Carreira. Kutxá designa, nesse idioma, o quiabo-de-Angola ou vinagreira (Hibiscus sabdariffa, Lin.), cujas folhas verdes são usadas para um prato "de sabor acidulado, muito apreciado por quase todos os povos da Guiné".( Carreira, As Companhias Pombalinas, p. 103. Segundo Cascudo, Luís da Câmara, História da Alimentação no Brasil, Belo Horizonte, Itatiaia, 1983, II, p. 856 e 871, usavam-se duas variedades de quiabo no Brasil, ambos de origem africana: o hibiscus esculentus (chamado okra, na Nigéria, e quingombó, em Angola e algumas regiões da América) e o hibiscus sabdariffa, chamada vinagreira ou quiabo-de-Angola no Brasil. ) Isso contrasta com a etimologia dada pelo Aurélio, que deriva cuxá da língua Tupi, dos vocábulos ku (o que conserva) e xai (azedo). Atualmente, esse prato típico do Maranhão, ainda preparado à base de vinagreira, tornou-se o "carro chefe de sua opulenta cozinha".( Castro e Lima, Zelinda Machado de, Pecados da Gula, Comeres e beberes das gentes do Maranhão. Receitas, São Luís, Centro Brasileiro de Produção Cultural, 1998, p. 22.) Ou seja, o prato que veio a ser símbolo do Estado é possivelmente de origem Mandinga sem que essa procedência seja reconhecida. Por essa razão, me parece importante resgatar o Maranhão como terra Mandinga.

05 maio, 2009

Lançamento do livro "Narrativas Musicais" - SP

Annablume Editora e Livraria da Vila-Fradique
convidam para o lançamento do livro de
Giovanni Cirino
Narrativas Musicais:
performance e experiência na música popular instrumental brasileira

Noite de autógrafos com apresentação musical.
Dia 05 de maio de 2009, terça-feira, das 18:30 hs às 21:30hs.
Rua Fradique Coutinho, nº 915 - Vila Madalena - São Paulo - SP .
(11) 3814.5811
Formato 14x21cm, 255 páginas
Acompanha CR-ROM
ISBN 978-85-7419-900-9

Narrativas musicais: performance e experiência na música popular instrumental brasileira aborda a música instrumental e sua atividade na cidade de São Paulo. O trabalho explora uma das muitas paisagens sonoras da sociedade – paulistana e brasileira – através da “audição” da música instrumental, que é abordada tanto a partir de sua produção fonográfica e ao vivo, quanto pelos aspectos musicais inerentes às obras. Giovanni Cirino identifica elementos que constituem as experiências que surgem no fazer musical e investiga como as questões relativas à construção da identidade nacional se articulam na música popular instrumental. Apresenta seu trabalho em duas partes: a primeira contendo os dados da pesquisa de campo; e a segunda, com as discussões sobre a etnografia do fazer musical, a experiência musical e seus significados no mundo contemporâneo.