29 janeiro, 2009

Blog do Zeca - Win Wenders e Aprendenders

Blogs parceiros.
Vocês conhecem o blog do Zeca?, Zeca sempre escreveu excelentes dicas culturais, com uma fina ironia, crítica apurada e uma boa dose de humor. Antes de inaugurar seu blog ele encaminhava estas dicas por e-mail, então tomei a liberdade de postar uma das dicas preferidas. 

Wim Wenders e Aprendenders
 
 
Amigos, desde que me tornei assíduo no Mercearia São Pedro – boteco decano ao lado do Fórum de Pinheiros -, o Nick Cave, aquele compositor das trilhas de Asas do Desejo e de Tão Longe, Tão Pertode Wim Wenders, me olha enviesado quando vou ao banheiro.  Ator, roteirista, escritor e músico, Cave está há um tempão fixo na parede do Mercearia. Não entendo o que vai manuscrito em inglês no pôster, não pelo idioma, mas pelos garranchos – talvez disformados por alcoolemia, dado a vida etílica de Cave.
 
Nesta quinta, pós carnaval, mesmo de tarde, o bar estava lotado. Procurei então me ajeitar à beira do balcão.  “Tá difícil descolar mesa hoje”, disse o rapaz que me servia a primeira Original. Cave, de óculos escuros estava ali percebendo a muvuca do Mercearia.  Não sou fã do cara, sei pouco sobre ele. Já li artigo na Falha de S.Paulo que o comparava a Lou Reed. - qualquer dia desses consultarei o Step(Marcelo Steponkevicius), meu amigo da Vila Ema especialista em pop/rock de todos os cantos.
 
Sei que Cave é australiano e que nos anos 80 chegou ao reconhecimento do público e da crítica com a banda Nick Cave and The Bad Seeds, com letras violentas, que beiravam o sadismo. É dito que ele lê a Bíblia e consome altas doses de álcool antes de escrever suas músicas. Agora, o mais interessante sobre Cave, eu descobri com o balconista do Mercearia. Acreditem: o músico chegou a morar ali pertinho, na Vila Madá, nos anos 90 onde conheceu Viviane Carneiro com que teve seu primeiro filho, Luke. Segundo o rapaz, Cave, que freqüentava o Mercearia, tomava seu uísque no mesmo lugar do balcão onde eu bebia minha Original. Lógico que não acreditei naquele papo, mas afirmou o balconista dizendo pra eu procurar entre as imagens de Cave no You Tube uma em que ele está no Mercearia.
 
Pra quem se interessar segue o link do You Tube com o Nick Cave no Mercearia.  http://www.youtube.com/watch?v=VAIGeETmk90

28 janeiro, 2009

Visões sobre a crise - Voices from the South. The impact of the global financial crisis on developing countries

Acadêmicos do Brasil, Quênia, Índia, Gana, Etiópia, China, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka, Tailândia, Vietnã, Nigéria, Bangladesh discutem o impacto da crise mundial nas economias em desenvolvimento. O Brasil é representado por Ruy Quadros e Otaviano Canuto.

Link
http://www.ids.ac.uk/UserFiles/file/globalisation_team/financial_crisis/Voices%20from%20the%20South%20Report.pdf

Fodéba Isto Keira - Interview


Publicado no site Development Gateway.

Interview with Fodéba Isto Keira, the President of Circul'A African Music Export Office (Bureau Export de la Musique Africaine or BEMA )

Text and Photograph courtesy Global Alliance for Cultural Diversity, a division of UNESCO. UNESCO is a partner and cooperating organization with dgCommunity Culture and Development.

Isto is also the Director of the Guinean Performing Arts Agency, which is under the authority of the Ministry of Culture and Sports, and the head of Mass Production, the main cultural events management agency in Guinea. He co-produces the Djembé d'Or, a prize that awards African artists each year.

Q: Is the music sector considered to be a catalyst for development in Africa?
A: Music is undoubtedly a factor for economic development, particularly in West Africa. It is a source of job creation, not only on an artistic level through concerts, tours, festivals and albums, but also through the different professions that support artists, such as managers, technicians and stage managers.

Q: Do you think that Africa is an emerging market for the music industry?
A: Yes. The African music industry (with the exception of South Africa) is not structured as yet. Jobs come about in the informal sector, phonographic distribution is hampered by piracy, operators cannot easily access training and copyright legislation is limited. Having said this, private operators and institutions are becoming increasingly aware of these difficulties. In Senegal, for instance, the Interprofessional Coalition of Phonographic Producers and Publishers of Senegal (Coalition interprofessionnelle des producteurs et éditeurs phonographiques du Sénégal or CIPEPS) is carrying out important
work and a new law on copyright and neighbouring rights is being voted.

Q: Could you briefly explain how BEMA came about?
A: Since 2003, the Africa Fête team has been organizing professional meetings every year in Dakar just before the festival, bringing together actors from the music sector. BEMA was born out of these meetings initiated by the late Mamadou Konté. In 2005, we created an informal network called Circul'A and set up a follow-up committee in Paris, in collaboration with partners based in Europe. We then carried out a feasibility study, led by Mamadou, which enabled us to travel to Benin, Burkina Faso, Guinea, Mali and Senegal
which, along with Côte d'Ivoire, became the priority countries for BEMA given their dynamic and relatively structured music sectors. BEMA was then officially set up in 2007 as a Senegalese association with a sub-regional office. BEMA was set up to address the needs of African cultural operators, especially in West Africa. In 2005 when we started the Circul'A network, we signed a charter stating that the network's aim was to help improve the professional mobility of its members and contribute to capacity-building in the African
music industry. These fundamental objectives were reproduced in the BEMA statutes.

27 janeiro, 2009

A caminho das Índias

E-mail enviado por Helena Francis Boyd.




Mujibar was trying to get a job in India. 

The Personnel Manager said, 'Mujibar, you have passed all the tests, except one. Unless you pass it , you cannot qualify for this job.'

Mujibar said, 'I am ready.'

The manager said, 'Make a sentence using the words Yellow , Pink and Green .'

Mujibar thought for a few minutes and said, 'Mister manager, I am ready' 

The manager said, 'Go ahead.'

Mujibar said, 'The telephone goes green, green, and I pink it up, and say, ' Yellow ', this is Mujibar.'

Mujibar now works at a call centr e.

No doubt you have spoken to him.    I know I have.

La Paz - Capital Latino-americana da Cultura.

Você sabia?, descobri em um site holandês que La Paz foi eleita a capital latino-americana da Cultura. Por quanto tempo?, quem elegeu?.....mistério.

Procurei no site da Prefeitura de La Paz e necas de pitibiriba.

Então cheguei a conclusão que esta informação deve ser ultra-sigilosa!. Pelo amor de Deus, não contem isso para ninguém!.

Um grande abraço. Moritz.

24 janeiro, 2009

Estamos fazendo um trabalho pesado: preparando nosso próprio erro

Olá, acesse o link, assista A História das Coisas e reflita: Estamos preparando nosso próprio erro?

http://www.sununga.com.br/HDC/



21 janeiro, 2009

2009 - O Ano Internacional da Astronomia e a Teoria do Formigueiro das Galáxias


         O celeste sempre foi fonte de inspiração para filósofos, artistas, intelectuais, românticos, poetas, religiosos, entre outros. Os caldeus acreditavam que mais dia ou menos dia, o céu desabaria sobre nossas cabeças.


                                                   Buraco Negro -   extraído do Hubble site.

       "Vistes que, com grandíssima ousadia,
        Foram já cometer o Céu supremo;
        Vistes aquela insana fantasia
        De tentarem o mar com vela e remo;
        Vistes, e ainda vemos cada dia
         Soberbas e insolências tais, que temo
         Que do Mar e do Céu, em poucos anos,
         Venham Deuses a ser, e nós humanos."
                                       Os Lusíadas, Canto VI, 29, Luís de Camões.


                                                    Supernova - extraído do Hubble site.
         


        Hoje, uma infinidade de instrumentos de observação permite o acompanhamento dos astros, recurso antes restrito aos nobres e aristocratas. 

        O Hubble site - www.hubblesite.org - disponibiliza uma grande quantidade de imagens captadas de nebulosas, sistemas solares, galáxias distantes, explosões, evidências da massa escura, supernovas.

        Infelizmente, uma grande quantidade de pessoas acompanha o universo mediante consultas diárias a quem pouco entende do universo, os astrólogos, os sacerdotes cósmicos. Para nossa felicidade estes profissionais são solarcentricos e restringem sua análise ao nosso sistema solar. Fico a imaginar se estes senhores resolvessem acompanhar a evolução das descobertas astronômicas - "Um buraco negro jantou um sistema solar a 20 milhões de anos-luz - cuidado!, nesta semana, você poderá ter um desarranjo estomacal e poderá contrair uma caganeira nababesca!; "Explosão de uma supernova a 12 milhões de anos-luz - cuidado!, nesta semana, seu vizinho poderá lhe pentelhar à exaustão!.

       Estamos sós?

       Este ano esta pergunta será intensificada, a NASA prepara o lançamento de um satélite especializado na observação de planetas que podem abrigar sinais de vida.

      

       Os ufólogos são os que estão mais próximo de uma resposta, mas seu fanatismo não permite que obtenham algo nítido e claro. Não precisamos de muita imaginação para pensar o quão interessante deve ser um congresso de ufólogos, barbudos que discutem se os alienígenas soltam raios gama pela fuça ou discussões intermináveis sobre "et´s" que usam cuecas incandescentes.

“Conto de Horror"

E um dia os homens descobriram que esses discos voadores

estavam observando apenas a vida dos insetos....

                                 Mário Quintana.


       São estimados a existência de 125 bilhões de galáxias e 1000 bilhões de sóis. Gostaria de aproveitar o segundo postulado do paradoxo de Fermi para desenvolver uma nova teoria, a teoria do "Formigueiro das Galáxias". O segundo postulado de Fermi prevê que somos simplesmente ignorados no universo, partindo dessa premissa, podemos estar isolados sem contato com outras civilizações pelos seguintes principais motivos: a hipótese fraca é que à semelhança de um formigueiro, estamos em uma área inóspita da fazenda celeste, estamos sequer próximos do estábulo celestial, mas a hipótese mais plausível é que somos extremamente desinteressantes.

        Pensem em um alienígena que escapou do desaparecimento de seu planeta, navegou por 50 milhões de anos-luz, Mr. Plâncton resolveu visitar a Terra para tomar duas doses para desestressar, então senta em algum bar do bairro boêmio de São Paulo, Vila Madalena e escutará horas e horas sobre as últimas do Big Brother. Pensem em Ms. Gororoba Cósmica com suas calcinhas incandescentes, ao gosto dos ufólogos, mochileira intergalática resolve passear pela Av. Paulista, senta numa livraria, pede um café e eis que escutará a descrição pormenorizada do livro "O Monge e o Executivo" e a grande contribuição para a humanidade dos colunistas da Revista Veja. Pensem em Mr. Atomic Purple Haze, estava de passagem pelo planeta terra e lhe contaram sobre quem comeu quem na última novela. Restringi estes relatos por São Paulo, mas a lista é extensa, Shakira, Jordi, MTV, dezenas de contribuições desinteressantes espalhadas pelo planeta, e não é nosso objetivo cometer qualquer injustiça.

        E tem mais, o planeta Terra é um vespeiro, melhor, formigueiro. Caso nossos amigos de outras galáxias resolvessem promover um téte a téte com os governantes de nosso planeta, de lambuja teriam que encarar uns 120 governantes demagogos, uns 130 corruptos, uns 30 genocidas, sendo que o governante da maior potência do planeta, que melancólicamente despediu-se na data de ontem, foi "our winner concur" em todos os itens.

          A pergunta persiste, você mexeria neste vespeiro?, ou melhor, formigueiro?. 

          Este texto é uma homenagem a H.L.Mencken.

        






20 janeiro, 2009

O Pai da Mari Comparato, fala quando diz!!!

FÁBIO KONDER COMPARATO

Agora descobrem todos, um pouco tarde, que a imoralidade do sistema capitalista alia-se à sua arrasadora ineficiência.

DIANTE DA maior crise econômica mundial dos tempos modernos, o presidente da França, no fim do ano passado, propôs, como remédio, a "refundação do capitalismo". Trata-se, ao que parece, de um retorno às origens do sistema, com a correção dos desvios posteriores.
A teoria original do capitalismo, como se sabe, foi elaborada por Adam Smith em fins do século 18.
O pensador escocês concebeu a economia como uma ciência natural, alheia a preceitos morais e normas governamentais. Grande admirador de Newton, não hesitou em utilizar uma analogia astronômica para explicar sua teoria dos preços no mercado.
O preço natural, correspondente ao custo de produção, seria o centro em torno do qual gravitariam os preços de todas as mercadorias, não obstante alguns desvios de órbita temporários.Entre as mercadorias, Adam Smith incluiu o trabalho subordinado. Ao analisar a escravidão, observou cruamente que o custo de manutenção de um escravo fica inteiramente a cargo do seu proprietário, ao passo que o do trabalhador assalariado é partilhado entre ele próprio e seu patrão.
O que conduz logicamente à conclusão -ignorada pelos senhores de escravos no Brasil até o final do século 19- de que a servidão é menos vantajosa que o trabalho assalariado.
Como se vê, o raciocínio é puramente contábil.Sob a influência dos fisiocratas franceses, A. Smith sustentou que só a agricultura produz riqueza.
O conjunto dos comerciantes, artesãos e fabricantes, escreveu, constitui "uma classe improdutiva", sustentada à custa dos proprietários rurais e dos cultivadores. Os banqueiros, ao contrário, exercem a útil função de transformar o "capital morto" ("dead stock") em capital produtivo (como se acaba de ver...).
Igualmente improdutivos seriam os agentes políticos. São textuais palavras suas: "O soberano, com todos os ministros que o servem, tanto na guerra quanto na paz, o conjunto dos militares, tanto do Exército quanto da Marinha de guerra, são trabalhadores improdutivos. São servos do povo, mantidos por uma parte do produto do trabalho das outras pessoas".
Por que, então, não extinguir a organização estatal? Adam Smith responde, sem rodeios, que o poder político foi instituído para a garantia da propriedade. Por conseguinte, ele "existe, na verdade, para defender o rico contra o pobre, vale dizer, aqueles que possuem algo contra os que nada têm" ("A Riqueza das Nações", livro 5, capítulo 1).
Como, então, explicar o funcionamento do sistema econômico?É pela força do egoísmo racional, responde Adam Smith. "Cada indivíduo forceja continuamente por encontrar o emprego mais vantajoso do capital de que dispõe. É a sua própria vantagem, na verdade, e não a da sociedade, que ele tem em vista" (mesma obra, livro 4, capítulo 2). Mas, apressa-se em acrescentar, a procura da vantagem própria leva o indivíduo, necessariamente, a escolher o emprego de capital que se revela mais vantajoso para a sociedade.
Quer isso dizer que os verdadeiros criadores da riqueza nacional deveriam ser chamados a governar as nações e a formar o futuro governo mundial, igualmente preconizado pelo presidente Sarkozy?.
Não foi esse o entendimento do primeiro grande teórico do capitalismo.Sustentou ele que a injustiça e a violência dos governantes dificilmente admitem um remédio.
Mas, aduziu, "a mesquinha rapacidade, o espírito monopolista dos comerciantes e fabricantes, que não são nem devem ser governantes, embora não possam talvez ser corrigidos, podem ser facilmente impedidos de perturbar a tranquilidade alheia" (idem, livro 4, capítulo 3).
Facilmente? Não foi o que vimos nos últimos meses.
Até há pouco, os bem pensantes justificavam as injustiças do capitalismo, pondo em realce a sua imbatível eficiência econômica.
Agora, descobrem todos, um pouco tarde, que a imoralidade do sistema alia-se à sua arrasadora ineficiência.

FÁBIO KONDER COMPARATO , 72, é professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP e autor, entre outras obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno" (Companhia das Letras).

18 janeiro, 2009

Ciclista morre atropelada na Av. Paulista

Publicado no Centro de Mídia Independente.

Márcia Regina de Andrade Prado, 40, faleceu nessa quarta-feira, dia 14 de janeiro, ao ser atropelada por um ônibus enquanto pedalava na Av. Paulista. Participante da bicicletada paulistana, ela era uma das signatárias do Manifesto dos Invisíveis, no qual ciclistas afirmam que o que falta não são ciclovias, mas o entendimento de que os ciclistas também são parte do trânsito e que devem ter suas vidas respeitadas:

"As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos (...) Em vez de ciclovias, a instalação de bicicletários deveria vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito e um trabalho de sinalização de vias, para informar aos motoristas que ciclistas podem e devem circular nas ruas da nossa cidade. Nos cursos de habilitação não há sequer um parágrafo sobre proteger o ciclista, sobre o veículo maior sempre zelar pelo menor. Eventualmente cita-se a legislação a ser decorada, sem explicá-la adequadamente. E a sinalização, quando existe, proíbe a bicicleta; nunca comunica os motoristas sobre o compartilhamento da via, regulamenta seu uso ou indica caminhos alternativos para o ciclista. A ausência de sinalização deseduca os motoristas porque não legitima a presença da bicicleta nas vias públicas".

Márcia pedalava na faixa da direita, destinada aos veículos mais lentos, na altura da Fundação Cásper Líbero. O motorista do ônibus, Mario José de Oliveira, 53, relatou à imprensa que "não teve culpa pelo acidente" e que tinha a sua "consciência tranqüila". Segundo o código de trânsito, os motoristas devem manter 1,5 metro de distância do ciclista, por todos os lados. Se esta lei houvesse sido respeitada, Márcia ainda estaria entre nós. Em 2006, ano do último levantamento publicado pela CET, 85 ciclistas morreram no trânsito em São Paulo.

Nós do Centro de Mídia Independente lamentamos profundamente a morte de Márcia e manifestamos solidariedade a todos e todas ciclistas. Por uma cidade onde as ruas sejam de todos - ciclistas, pedestres, catadores, cadeirantes, skatistas, carrinhos de bebê etc. - e não apenas dos veículos motorizados!

14 janeiro, 2009

Novo lugar da África

Novo lugar da África

José Flávio Saraiva, da UnB, destaca a importância do continente africano no cenário internacional e sua relação com o Brasil

Especiais

Novo lugar da África

7/1/2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Exótica, sem personalidade, problemática e carente de ações humanistas. Segundo artigo publicado na Revista Brasileira de Política Internacional, essa maneira de encarar a África não corresponde à complexa realidade do continente e trata de um discurso da vitimização, herdado do ciclo da descolonização, que não tem mais eco na atualidade.

Para José Flávio Sombra Saraiva, professor titular da Universidade de Brasília (UnB), autor do texto, a África é mais complexa, mais autônoma e ocupa um novo lugar na sociedade internacional.

“É uma das últimas fronteiras do capitalismo global, com riquezas naturais e humanas incomensuráveis. O mundo precisa mais da África do que a África do mundo. Lá estão fontes e recursos naturais necessários à sobrevivência do planeta. E suas elites, embora ruins na média geral, estão divididas”, disse à Agência FAPESP.

Autor do livro O lugar da África – A dimensão atlântica da política externa brasileira (Editora UnB, 1996), Saraiva aponta que mesmo diante da crise econômica global e das dificuldades internas de constituição de sociedades e estados modernos, assiste-se no continente africano a “um ciclo positivo”. A África poderia, inclusive, se sair bem do momento de ansiedade por que passam as economias globais.

“As economias no continente cresceram em torno de 5,6% por ano desde o início da década. Tenderão a manter parte desse crescimento nos próximos anos, pois as fontes de financiamento externo emanam dos capitais do Golfo Pérsico e da Ásia. Apesar das crises políticas, como o golpe de estado recente na Guiné, a crise política no Zimbábue ou o conflito de Darfur, assiste-se a processos positivos de democratização de regimes políticos”, disse o autor, que pesquisa o tema desde 1982 e já esteve em mais de 30 países africanos.

Segundo ele, os conceitos negativos que se perpetuam sobre o continente africano presidem parte do desenho ocidentalista patrocinado “ora por interesses de exploração de grandes grupos econômicos internacionais, ora pelas próprias elites africanas para obter recursos e meios de perpetuação do poder local”.

Saraiva não concorda com o “discurso humanista ingênuo” que guia as ações de muitos grupos não-governamentais internacionais. O continente, afirma, é mais complexo e mais autônomo do que se imagina.

“A África profunda não quer esmolas ou modelinhos de culpa ocidental, quer apoio a idéias e projetos de infraestrutura social e econômica. Os chineses aprenderam isso rápido. Estão fazendo uma infiltração muito inteligente no continente africano. O Ocidente vai ficar para trás nessa corrida”, afirmou.

O também diretor do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais aponta que o caso de Moçambique é emblemático. Segundo ele, trata-se de um país com muita probreza, mas que está se equilibrando melhor que seus pares de língua portuguesa na África subsaariana.

“Não é tão rico economicamente como Angola, mas tem práticas políticas de melhor gestão de seus recursos. Suas elites estão menos esgarçadas. É um país que vem normalizando práticas elementares de normalização da máquina pública. Assiste a crescimento relativamente sustentável e suas elites têm um certo pragmatismo na direção do aproveitamento das oportunidades das mudanças globais do momento”, afirmou.

Baixa apreciação

De acordo com o professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, apesar de haver uma elevação do status da África no mundo – com inserção na sociedade internacional –, existe no Brasil, paradoxalmente, uma “baixa apreciação” em relação ao continente. Cada interesse aqui, afirma, cria uma África “a serviço de jogos identitários internos do Brasil”.

“Há, por aqui, uma invenção da África que está mais ligada à história afro-brasileira do que às realidades estruturais que alicerçam a evolução de um continente imenso e muito diversificado em todos os aspectos. Inventamos aqui uma África para consumo interno, ora para elevar as Áfricas que temos dentro de nós, ora para denegri-la”, disse.

Para o pesquisador, essa confusão leva a “muito voluntarismo ingênuo de baixo impacto” no continente e a uma “espécie de autosuficiência e arrogância” ao imaginar que o Brasil tem fórmulas mágicas e modelos prontos para a África.

Apesar disso, Saraiva ressalta que o Brasil rompeu, nos últimos anos, o que chama de “silêncio atlântico”. A retomada da política de diversificação de interesses nas partes menos centrais do capitalismo global levou o país novamente à África.

“A ampliação da representação diplomática no continente e a retomada de projetos estruturais no campo mineral, petrolífero, de infraestrutura social e profissional emanaram mais do Executivo do que dos setores econômicos clássicos. Agora, há um fluxo comercial e empresarial que foi recriado pelo Executivo”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil não pode negligenciar as relações de interesse com o continente africano. Do campo estratégico e econômico ao político, multilateral e de interesses a colher, a África é um dos destinos obrigatórios.

“Mas esse desembarque não pode ser feito contra a África, na ambição de ir para resolver problemas de identidades afro-brasileiras. Os chineses, indianos e australianos, que têm pouco de África na sua base sociocultural, estão mais vivos por lá do que nossos discursos de africanidade brasileira”, disse.

Para ler o artigo A África na ordem internacional do século XXI: mudanças epidérmicas ou ensaios de autonomia decisória?, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Sobre mercado matrimonial, diáspora negra e Michelle Obama

E-mail enviado por Marina Moraes Nabão, sem indicação da publicação.

13/01/2009 - 16:05:40

Sobre mercado matrimonial, diáspora negra e Michelle Obama

Diony Maria Oliveira Soares*

Ao realizar pesquisa(1) sobre o impacto do discurso estético midiático em jovens mulheres negras, estudantes do ensino médio em escola pública, escutei reclamações em relação ao mercado afetivo no Brasil. Segundo as estudantes entrevistadas, enquanto muitos jovens homens brancos não gostam de mulheres negras, muitos jovens homens negros “adoram uma loira”. Constatação que, obtida em 2007, ratifica queixa recitada por mulheres negras brasileiras já há bastante tempo.

A questão passou a ser reconhecida no meio acadêmico por intermédio do trabalho da demógrafaElza Berquó(2) que, em 1987,analisou o mercado matrimonial, em investigação sobre a nupcialidade da população negra no Brasil. Neste estudo, Berquó apresentou a Pirâmide da Solidão, na qual demonstrou com números a solidão das mulheres negras.

Em 1995, o jornal Folha de S. Paulo realizou a pesquisa Racismo Cordial(3) que se transformou em um marco da mídia impressa na abordagem das relações étnico-raciais no Brasil. Para destacar algumas pessoas negras bem sucedidas, a divulgação do estudo apresentou apenas fotos e histórias de vida de homens negros, quase todos casados, na época, com mulheres brancas.

A desvantagem de mulheres negras no mercado matrimonial também foi abordada algumas vezes pela revistaRaça Brasil, incluindo matéria publicada já no primeiro número da revista, em setembro de 1996, intitulada Casais Mistos – da cor do pecado, assinada por Ângela Oliveira. A matéria, que tratava de relacionamentos inter-raciais a partir de depoimentos de integrantes destes casais, afirmava em um dos subtítulos que Homens têm mais preconceitos, sintetizando que “nem sempre a alquimia dá certo. Principalmente na raça brasileira. Ora é o homem branco que mostra seu preconceito em relação às mulheres negras. Ora são os próprios homens negros que preferem as brancas”.

Dois anos depois, em outubro de 1998, o tema foi retomado pela Raça Brasil em matéria assinada por Tânia Regina Pinto, e intitulada Por que eles preferem as loiras?, na qual a reflexão de D. P., um administrador de empresas negro e bem-sucedido, dispensa comentários: “Se eu encontrasse uma negra na faculdade, será que eu me casaria com ela? Não. Minha esposa não tem curso superior, é baixa, gorda e tem barriga. Mas é branca.”

Nesta mesma época, Lilia Schwarcz(4) detectava que a mestiçagem resultava mais de casamentos entre mulheres brancas e homens pretos do que o contrário. Ou seja, o embranquecimento viabilizava-se mais acentuadamente a partir das escolhas dos homens negros.

Finda a primeira metade da primeira década do século XXI, a pesquisadora Maria Luiza Heilborn(5) divulgou, em 2006, investigação sobre mitos e comportamentos sexuais. O estudo resultou de dados provenientes de um inquérito domiciliar realizado em três cidades de distintas regiões do país, com jovens de ambos os sexos, de 18 a 24 anos. Na análise desta pesquisadora, “a preferência de homens negros por mulheres brancas, em casamentos inter-raciais, é reveladora de uma forma de ascensão social e de uma hierarquia, tanto de beleza como racial”.

Já em 2007, a cientista social Raquel Souzas e a socióloga Augusta Thereza de Alvarenga, em investigação(6) sobre as diferenças de gênero e de raça nas questões reprodutivas de mulheres negras e brancas, tendo em vista à concepção de liberdade, observaram que “no Brasil, mulheres negras são preteridas do mercado matrimonial, como aponta Berquó e supervalorizadas, como exóticas, para o tráfico sexual, como denunciam pensadoras do movimento negro”. Na opinião destas pesquisadoras, “a estereotipia a que as mulheres negras estão submetidas impede-as de usufruírem da liberdade, inclusive a sexual, e de exercitarem sua autonomia e dignidade, ferindo, portanto, os direitos sexuais das mulheres negras”.

A meu ver, o cruzamento entre estes e outros estudos sobre a desvantagem de mulheres negras no mercado matrimonial e os depoimentos concedidos em 2007 por adolescentes negras apontam que a condição étnico-racial pode dificultar a performancedestas jovens nos jogos que levam aos arranjos afetivos. O que pode significar uma desvantagem em um jogo de cartas marcadas, no qual não adianta muito lançar mão de práticas que supostamente mantêm a auto-afirmação feminina por intermédio dos atrativos do corpo, tendo em vista acionar nos parceiros em potencial o arquétipo da musa. Ou seja, uma condição determinista que aponta que as relações étnico-raciais condicionam fortemente as escolhas afetivas, o que pode resultar para mulheres negras em poucas chances de negociação no que tange a essas escolhas.

Diante disso, tendo em vista a perspectiva de análise de componentes que contribuem para delinear características das relações de gênero na diáspora negra, Michelle Obama ingressa oficialmente na política mundial como um poderosíssimo emblema: uma mulher negra, 44 anos, crescida em um bairro pobre no Sul da cidade de Chicago; formada em Sociologia pela universidade de Princeton e em Direito por Harvard; casada com um homem negro bem-sucedido; mãe de duas meninas negras.

Durante a corrida eleitoral, a condição da esposa de Barack Obama chegou a suscitar questionamentos que escancaravam a perversidade do cruzamento do racismo com o sexismo: “há quem diga que será mais difícil para os americanos aceitar uma primeira-dama negra do que um presidente negro” alertava, por exemplo, matéria publicada por um dos maiores jornais do Brasil. Paralelamente a isso, reportagem de uma das principais revistas semanais do país informava que, antes da campanha, Michelle “fazia 200.000 dólares por ano como administradora de um centro médico” e previa que ela seria “uma primeira-dama inesquecível”.

Pois bem, no histórico discurso da vitória, Barack Obama conquistou para sempre o meu coração e, penso eu, os corações femininos da diáspora africana ao declarar ao mundo o seu amor pela esposa.

Sendo assim, às vésperas da posse, não é demais repetir: seja bem-vinda, Michelle Obama. Sim, nós podemos sonhar com príncipes encantados. Sim, nós podemos desejar o amor. Sim, nós podemos ser muitíssimoamadas.

* Mestra em Educação, especialista em Antropologia Social e jornalista.

(1) SOARES, D. M. O. Espelho, espelho meu, eu sou bela? Estudando sobre jovens mulheres negras, discurso estético, mídia e identidade. 2008. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação. Universidade Federal de Pelotas.

(2) BERQUÓ, E. Nupcialidade da população negra no Brasil. Campinas, 1987. Texto Nepo 11.

(3) TURRA, Cleusa; VENTURI, Gustavo (orgs.).Racismo Cordial: a mais completa análise sobre o preconceito de cor no Brasil. Folha de São Paulo / Datafolha. São Paulo: Editora Ática, 1998.

(4) SCHWARCZ, L. Nem preto, nem branco, muito pelo contrário, cor e raça na intimidade. InHistória da vida Privada no Brasil. (Org.) Fernando Novais. São Paulo: Cia de Letras, 1998, p.209-225.

(5) HEILBORN, M. L. Entre as tramas da sexualidade brasileira. Estudos Feministas, Florianópolis, 14(1): 43-59, jan./abr. 2006.

(6) SOUZAS, R.; ALVARENGA, A. T. Direitos sexuais, direitos reprodutivos: concepções de mulheres negras e brancas sobre liberdade. Saúde e Sociedade. v.16 n.2. São Paulo: Universidade de São Paulo. mai./ago. 2007. p.125-132. Disponível emhttp://www.scielo.br/pdf/sausoc/v16n2/12.pdf.

Crimes de guerra e omissão em massa...

Os atuais ataques à Faixa de Gaza, que já produziram em poucos dias mais de 760 mortes, dentre as quais mais de 270 crianças (do outro lado, 10 soldados israelenses, sendo 3 atingidos por “fogo amigo”), provocam a indignação e o repúdio da comunidade internacional. Israel passa a sofrer dia a dia as conseqüências da adoção de uma política externa hostil e pseudo-independente. A comunidade internacional se mobiliza como pode exigindo o cessar fogo, mas a arrogância desse Estado está diretamente relacionada ao apoio que recebe dos Estados Unidos e da certeza da paralisia do Conselho de Segurança da ONU pela mesma razão. Pouco a pouco vem se consolidando a avaliação da conduta de Israel como criminosa. Opiniões especializadas já enquadram os ataques como contrários às Convenções de Genebra e passíveis de punição individual por crime de guerra.
O relator especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel desde 1967 na Palestina, Richard Falk afirma que “as recentes operações militares de Israel na Faixa de Gaza configuram crimes contra a humanidade ... Os ataques israelenses ferem a 4ª Convenção de Genebra primeiramente porque punem coletivamente os palestinos residentes em Gaza, não fazendo distinção entre alvos civis e combatentes”. A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, também ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, afirma que violações do direito humanitário internacional podem constituir crimes de guerra, para os quais a responsabilidade penal individual pode ser invocada".

Carol Proner e Gisele Ricobom são professoras de Direito Internacional e Direitos Humanos da UniBrasil.

O que acontece com o mundo em relação a Gaza????

SDEROT, EM Israel, onde caíram foguetes Qassam do Hamas (de fabricação artesanal, alcance até 10 km e pouca precisão), era, até 1948, um vilarejo palestino. Seus habitantes foram expulsos antes da criação de Israel e confinados numa estreita faixa de terra, no sudoeste do país, na fronteira com o Egito. Esse pequeno território, com 35 km de comprimento por 10 km de largura, é a tristemente famosa faixa de Gaza. Para lá foram levados os humilhados e ofendidos palestinos, expulsos pelos novos donos da terra, os sionistas israelenses. Quem são os sionistas? Filosoficamente, o sionismo constitui uma das faces modernas daquela busca sempre perseguida e jamais realizada de um "absoluto" terreno. Busca crescentemente explosiva e destrutiva -nazismo e comunismo são dois outros exemplos dessa busca irracional. Religiosamente, o sionismo representa um rompimento revolucionário com a tradição judaica. É a síntese acabada do processo de secularização do ideal messiânico e uma apostasia do judaísmo. É um desvio profano do messianismo. Politicamente, pertence à família dos totalitarismos ultranacionalistas, em sua modalidade "judaica". Coloco os parênteses porque se trata de uma ruptura com a tradição judaica, sendo uma perversão nacionalista e xenófoba dela. De fato, judeus tradicionais são antissionistas e o consideram uma dessacralização da religião. O sionismo é um tipo de "egoísmo coletivo". Para nós, tudo; para os outros, nada. Se o egoísmo individual já não é bonito, imagine o coletivo... Ele tira prazer vulgar do narcisismo e do preconceito contra o estrangeiro. Caracteriza-se pela estupidez, pela superficialidade e por um máximo de brutalidade -como se pode constatar sem dificuldade hoje. Em Gaza, a maioria de seus 1,5 milhão de habitantes é de refugiados e seus descendentes, expulsos de cerca de 350 cidades e vilarejos palestinos que foram riscados do mapa por grupos terroristas judaicos, como o Irgun, o Haganá, a gangue Stern ou, posteriormente, pelo Exército israelense. Ou seja, eles não estão ali por vontade própria, mas porque foram forçados -outro termo para descrever a situação é "limpeza étnica". Apesar de ser outro país, Israel controla o espaço aéreo de Gaza e suas fronteiras terrestres e marítimas. Nada nem ninguém entra ou sai de Gaza sem sua anuência. Além disso, esse bloqueio foi tornado ainda mais rigoroso -um autêntico "selamento" territorial- depois da vitória eleitoral do Hamas há dois anos. Isso aumentou ainda mais as já terríveis adversidades de seus habitantes: saúde deteriorada, carestia, desemprego de mais de 50% da população masculina. Gaza sofre o que racistas não tão antigamente chamavam de "punição coletiva". Quanto ao massacre militar, que alguns preferem eufemisticamente chamar de "conflito", não há necessidade de entrar em discussão: os números por si sós são eloquentes. Mais de 900 seres humanos, a maioria civis, incluindo duas centenas de crianças, já perderam a vida em Gaza. Quatro mil feridos. A crer no ódio que corre nas veias de muitos israelenses e seus apoiadores no mundo, mais vidas estão para ser ceifadas. Do lado israelense, uma dezena de mortos, a maioria militares. Isso dá uma proporção de 1 para 100. Como escreveu Gideon Levy no jornal israelense "Haaretz", "é como se o seu sangue valesse cem vezes menos do que o nosso, reconhecendo nosso racismo inerente". Muitos questionam o que os brasileiros fariam caso o Hamas lançasse seus foguetes contra nós. Afinal, argumentam, "Israel tem o direito de se defender". Antes disso, devemos perguntar o que faríamos se tivéssemos sido expulsos de nossas terras e comprimidos num exíguo território. O que os brasileiros fariam se tivessem fechado hermeticamente esta área por mais de um ano, sem deixar entrar alimentos ou medicamentos nem permitir à população entrar ou sair? Falando pelos americanos, Takis Theodoracopulos, editor do site Taki's magazine, respondeu: "O que faríamos nessa situação seria muito mais duro e eficaz do que os oprimidos, mas não vencidos, palestinos têm feito com seus Qassams". Takis conclui: temos sido totalmente iludidos pela poderosa máquina de propaganda sionista. Apoiar essa guerra é justificar seu cortejo de brutalidades e horrores; é ser iludido pela propaganda.
MATEUS SOARES DE AZEVEDO, 48, jornalista, é mestre em história das religiões pela USP

13 janeiro, 2009

GO EAST - Rio de Janeiro





GO EAST - Especial Verão no Danúbio

"A 1a festa a trazer os beats irresistíveis do leste europeu em sua 1ª edição de 2009, trazendo o verão 40º dos Balkans pro Rio!"
17/01/09

CINE LAPA - RJ
:: DJs ::
- DJ Negro Pésimo (Chile)
- DJ Gardenal (Brasília - DF)
- DJ Maria (Kalderash Soundsystem)
- DJ Sol (Kalderash Soundsystem)
- Live PA com Sérgio Arriola, Edmur Paranhos, João Paranhos, Leonardo Campos, Igor (Percussão e Trombone)
:: NO TELÃO ::
- VJ Timba
+ video-clipes, filmes, animações russas e shows!
:: E MAIS! ::
- Performance de kolo com o grupo Kolorama
- Shots grátis de Vodka e Rakija durante a noite
- Narguila Lounge (com diversos sabores de tabaco)
- Brindes pras melhores performances e produções
- Venda de produtos exclusivos Madame Fécula
- ESPECIAL: Vá à GO EAST e ganhe desconto para a festa de Eugene Hütz!
Sábado 17/01, as 23h
Cine Lapa - Av. Mem de Sá, 23

12 janeiro, 2009

Comissão Teotônio Vilela

Diante do agravamento do conflito entre Israel e os Territórios Ocupados da Palestina, a Comissão Teotônio Vilela (CTV) crê ser oportuno a expressão de apoio da sociedade civil brasileira ao cessar fogo, à proteção das populações civis e o acesso à ajuda humanitária, essenciais à retomada do diálogo na região.
Contando com a presença de Eduardo Suplicy, Fernando Gabeira, Maria Helena e José Gregori, Margarida Genevois, Marilena Chauí e Paulo Sérgio Pinheiro, entre outros membros da CTV, a Comissão convida para uma reunião e coletiva à imprensa.
Durante a reunião, será lançado um documento contra a violência e de apoio à paz. Durante o ato, o documento será aberto para assinaturas.
Data: 13 de janeiro de 2009 (terça feira)
Horário: 14h
Local: Memorial da América Latina Anexo dos Congressistas - CBEAL
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 Portão 13
Barra Funda São Paulo SP
Para maiores informações:
Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos
(11) 3091-4980
Aristeu Bertelli ou Nathália Fraga


Enviado por Marcelo Barbara.

BOLSAS 2009 - Centro Celso Furtado
Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento torna pública a abertura da seleção para a concessão de sete bolsas de auxílio à pesquisa, sendo cinco destinadas ao mestrado e duas ao doutorado. 
 
 
·         Inscrições - envio dos projetos: de 10 de janeiro a 14 de fevereiro 2009.
·         Prazo para análise: de 14 de fevereiro a 28 de fevereiro de 2009.  
·         Início da concessão da bolsa: 1º de março de 2009.
 

Esse ano, contando com o apoio do Banco do Nordeste, os temas dos projetos de pesquisa foram ampliados:
 
  • Emprego formal e desenvolvimento econômico;
  • Desenvolvimento e política industrial;
  • Restrição externa e crescimento;
  • Financiamento do desenvolvimento;
  • Desenvolvimento, mudança estrutural e inflação;
  • Integração regional e desenvolvimento econômico;
  • Desenvolvimento local e regional no Nordeste;
  • O pensamento de Celso Furtado.

No nosso site você encontra todos os detalhes, valores, procedimentos para a submissão de projeto e os formulários. 
Veja o regulamento geral na página das Bolsas 2009 em Atividades > Bolsas de Estudo > Bolsas 2009, ou clicando aqui.
Dúvidas e Informações: bolsas@centrocelsofurtado.org.br
Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento
Avenida República do Chile, 100/ Subsolo, salas 15-17 - Centro
CEP: 20139-900 - Rio de Janeiro – RJ
Telefone: +55 (21) 2172-6313/ 2172-6312 Fax: +55 (21) 2172-6314
URL: http://www.centrocelsofurtado.org.brSe não quiser mais receber mensagens do Centro Celso Furtado, clique aqui.

10 janeiro, 2009

Mahjoob

Enquanto isso na Faixa de Gaza, por Mahjoob.













08 janeiro, 2009

É tradição e o samba continua

É Tradição e o Samba Continua no CCBB-SP


Local: Teatro (125 lugares)6 de janeiro a 3 de fevereiroTerças-feiras - 13h e 19h30Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada)


“Quem nunca viu o samba amanhecer/Vai no Bixiga pra ver/Vai no Bixiga pra ver/Está firme no pedaço/É tradição e o samba continua” (trecho da música “Tradição” de Geraldo Filme). A série apresenta alguns componentes da trajetória do samba de São Paulo e promove um encontro de sambistas de diferentes gerações, que tiveram a grande metrópole como chão e o compositor paulista Geraldo Filme como uma de suas inspirações. Concepção de Sérgio Mendonça, Patrick Karassawa e Letícia Rita. Direção musical de Chapinha. Classificação indicativa: livre.

6 de janeiro – Quinteto em Branco e Preto e Fabiana Cozza

13 de janeiro – A Comunidade Samba da Vela e Osvaldinho da Cuíca20 de janeiro – Berço do Samba de São Matheus e Dona Inah

27 de janeiro – Samba da Laje, Teroca e Velha Guarda da Camisa Verde e Branco

3 de fevereiro – Pagode da 27, Graça Braga, Chapinha e Porta-Bandeira

Fiebre Negra

E-mail enviado por Marina Moraes Nabao.

A história oculta e esquecida dos negros na Argentina

Fiebre Negra é um acerto de contas da literatura argentina com suas raízes africanas. Terceiro romance do portenho Miguel Rosenzvit, o livro apresenta uma Buenos Aires que a história oficial tratou com descaso. É ambientado no século XIX, quando a capital - conhecida por ser a mais "européia" da América Latina - chegou a ter 30 por cento de população negra;"três de cada dez habitantes era negro", asssinala o autor.
Em entrevista ao Observatório Afro-Latino, o escritor e poeta fala sobre o romance, publicado recentemente pela Editorial Planeta, que conta a história de amor entre um afro-argentino e uma jovem branca, que nascem quase ao mesmo tempo e crescem juntos. Além disso, o autor conta como foi a escravidão em seu país, como vive hoje a população afro-descendente e opina sobre a contribuição africana para a cultura argentina.
- O que o levou a escolher uma história de amor impossível entre um filho de escravo e uma moça branca, no século XIX, para falar da extinção da comunidade afro-argentina?
-Quando se quer indagar, ainda que seja desde a ficção, o destino da comunidade afro-argentina, é necessário reportar-se ao século XIX, porque foi então que a sorte foi selada com firme determinação desde os mais altos círculos do poder político, militar, eclesiástico e jornalístico do país. E isto executado com clara publicidade, sem pudores ou escrúpulos que moderassem a violência do racismo no discurso ou nas ações. No discurso, desde o presidente Sarmiento ou o general Mitre até um cronista popular do jornal La República, passando pelos influentes Alberdi ou Mansilla, expressavam a necessidade de construir uma Argentina branca e européia e falavam sem rodeios do "problema" negro, de sua inferioridade racial, de sua "proclividade" ao roubo, ao jogo e ao calote, quando não era associado diretamente o negro com o macaco e a negra com a prostituta. E considerando o ponto de vista da ação, o governo ditava leis que diferenciavam direitos, obrigações e castigos para o negro ou facilitava a entrega de terras para os colonos agricultores da Europa e as negava aos dos EUA porque estes últimos eram negros.
Enquanto à história de amor, bem, a história de Joaquim, filho liberto de mãe escrava, e de Valéria, filha branca dos patrões, é a história de um vínculo muito comum naquela época em Buenos Aires, na qual três de cada dez habitantes eram negros. Eles nascem no mesmo dia e desde essa mesma tarde compartilharão o seio da negra Angelita e juntarão suas pequenas cabeças traçando sua mais precoce subjetividade. A relação entre eles, desde então, estará marcada pela alternância entre a rejeição e a atração, assim como foi selada a relação entre a sociedade europeizante e a população negra. Porque, apesar de tanta proibição, de tanto extermínio e marginação, a comunidade afro-argentina conseguia inserir-se com relativo sucesso na sociedade. Porque eram trabalhadores capacitados, artistas destacados, excelentes soldados e por isso eram solicitados, valorizados, exigidos e desejados pela sociedade.
- De onde vem seu interesse pela história dos negros de seu país?
-Os escritores costumam ter atração pelo não contado, pelo não dito. Costumamos ter a tentação de arrancar a etiqueta que dá como arquivado um assunto e que, na sua mesma formulação, fracassa semanticamente. Por exemplo: "a escravidão na Argentina foi benévola" ou "os negros não suportavam o clima". Mas, "como a escravidão pode ser benévola? O clima? Como fazem os negros de Nova Iorque, de Paris, de Montevidéu? Na Argentina, houve cerca de 30 por cento de população negra. Era mais plausível esta hipótese: foi massacrada. E para se situar na época, para transitar no detalhe, o cotidiano desses anos, o dia-a-dia no mercado, nas ruas, nas escolas, no exército, o melhor era deixar rolar uma história íntima, privada, complexa, com uma única premissa: Buenos Aires estava cheia de negros.
- Por que a presença de uma antropóloga do século XXI? A personagem seria um elemento de conexão com o próprio autor?
- Acho que não. Era necessário que existisse um personagem que tivesse uma motivação pessoal que o levasse a indagar desde a exploração de sua própria história. Se Diana, a antropóloga, herda a casa, é porque seus ancestrais viveram lá. E ela, apesar de ser antropóloga (e reflete bem a realidade da universidade nesse sentido), não tem nem idéia de como começar a responder as perguntas escritas nas paredes da sua casa: Por que está vazia desde 1871? Por que há um quartinho nos fundos? Escravos na minha casa? Quantos? Por que há dois cadáveres? E textos? Os escravos escreviam? Em que país vivo? Quantas mentiras existem aqui para serem reveladas?
- Como foi o processo de pesquisa histórica da época na qual se passa o romance?
- Há uma série de fontes mais ou menos comuns: diários de estrangeiros que visitavam estas costas, o Arquivo Geral da Nação, a Hemeroteca e, também, um circuito mais difícil para percorrer, mais estreito, onde surge o tema da negritude com mais crueza, com menos fingimento, justamente porque o tema desses circuitos não é a negritude. Por exemplo, o ataque que faz San Martin na batalha de Maipú, utilizando um batalhão de 2000 negros e mandando que atacassem o acampamento espanhol pela noite e desarmados, aparece nos livros de guerra como uma manobra genial, porque os espanhóis associavam a negritude com todo tipo de lendas demoníacas e essa manobra foi a que garantiu a vitória em uma batalha cruel. Isto justifica a famosa tese dos negros utilizados como pavios humanos. E de alguma forma contradiz: pavio humano é uma metáfora muito inocente para semelhante manobra; tratava-se, sem dúvida, de um massacre.
- Qual é a principal diferença entre a escravidão na Argentina e a escravidão em outros países latino-americanos?
-Existe o mito de que, como na Argentina não existiam grandes extensões de plantações, a escravidão foi menos sanguinária. Eu acho que é falso. Em primeiro lugar, sim, existiam cultivos, como o da cana-de-açúcar, em Tucumán. E também, a exploração mineira ou os terríveis trabalhos nas salgadeiras e nos matadouros. Em segundo lugar, inclusive tendo em conta que muitos negros em Buenos Aires foram usados para serviços domésticos, isso não garante que a crueldade fosse menor. Por dois motivos: primeiro porque as tarefas às quais eram submetidos eram de uma crueldade extrema; um dos trabalhos das negrinhas era entregar o cabelo para que as brancas, filhas dos patrões, descarregassem suas birras, puxando-os. Segundo, porque, nos casos em que a exploração esteve tão bem organizada, tão claramente dividida em setores, nos EUA, no Brasil ou na Colômbia, apesar da opressão ser tão terrível, essa mesma divisão, talvez, incentivou a organização, a comunhão, a rebelião.
- Quando foi abolida a escravidão no país?
-Em 1853 nas províncias do interior do país, e em 1860, em Buenos Aires.
- Como começou o desaparecimento dos afro-argentinos e o que o motivou?
-Inicialmente, teríamos que falar de um desaparecimento muito relativo. Hoje existe aproximadamente cerca de dez por cento da população com algum ascendente afro-argentino direto. Sobre a expressiva redução poderia falar de três categorias de razões. A primeira, que rapidamente se desfaz, era a que se refere a vergonhosos mitos, como que não suportavam o clima e que tinham inclinação à prostituição e à má vida. A segunda categoria refere-se as meias-verdades: foram pavios humanos na guerra ou foram dizimados pelas pestes. São certas, mas vale a pena ser revisadas e perguntar: o que significava ser negro durante aquele sangrento meio século, ou pouco mais, cheio de guerras de todo tipo, que vai desde as lutas pela independência até a guerra da Tríplice Aliança? O que significava ser negro durante a epidemia de febre amarela que assolou Buenos Aires no início de 1871? Finalmente, a terceira categoria, que é a mais utilizada pelas pesquisas mais sérias e modernas da atualidade, falam da invisibilidade que sofreram e que ainda sofrem os afro-argentinos e, simples e claramente, de um genocídio.
- Como se sente por ter feito uma ficção para contestar à história oficial?
-É um paliativo contra a primeira indignação. Há uma frase de Mansilla que explica essa sensação. Está em um livro sobre Rosas, no qual, antes de lapidá-lo, de explicar por que se tratava de um monstro, o exalta, o mostra em toda sua magnífica dimensão, como se fazia na literatura da época. E para isto começa dizendo que seu sangue, branco, era puro, não só por escarnação sexual (descendência), mas por absorção sanguínea (!), isto é, porque foi, excepcionalmente, a sua mãe quem o amamentou e não uma escrava negra. E de onde foi que esse pro-homem interpretou que o seio negro transmite negritude? Não se sabe. Era acaso uma premissa comum entre os cientistas do inicio do século? De forma alguma. Então a indignação que gera semelhante e tão arbitrário racismo é grande. E em alguma coisa se ameniza essa indignação após ter respondido.
- Em sua opinião, quais seriam as contribuições dos negros para a cultura argentina?
-Muitíssimas. Estão na presença do tambor no folclore, estão no tango e no repentista, está na linguagem, no "vos" rio-platense tão nosso. Uma anedota: costumavam perguntar ao grande pianista Horácio Salgán: "Mas, maestro, o senhor além de grande pianista tem algo, algo no ritmo que às vezes parece que toca as teclas como se fossem tambores, seu ritmo é tão sutil, tão complexo e, ao mesmo tempo, tão contagiante". "Ah, bom", respondia Salgán, " devo isto aos meus ancestrais africanos".
- Onde há mais racismo: em Buenos Aires ou no resto do país?
-Não acho que haja diferenças importantes. Talvez exista o mito de que nos mais altos níveis culturais o racismo é menor, mas muitas vezes isto não é mais do que uma fachada atrás da qual se esconde um racismo mais intenso, desse que influi não tanto na realidade, mas na ação concreta.
- Diga, por favor, como e onde vive hoje a população afro-descendente da Argentina. E também qual é o nível de discriminação contra os negro?.
-Há comunidades e também muita desagregação. Existe a fundação África Vive, presidida por Pocha Lamadrid, que é uma referência para os descendentes de escravos e que está em San Justo, La Matanza, Província de Buenos Aires. Existem os imigrantes de Cabo Verde, que são argentinos de várias gerações e que têm uma Sociedade Cabo-verdiana, dirigida por Miriam Gomes. Existe uma nova imigração africana minoritária, porém bastante notória. E, também, existe muitíssima negação. Uma boa parte da população agora, timidamente, procura em seus ancestrais, em seus caracteres físicos, na sua cultura, e reconhece africanismo na sua pele e na sua alma, mas que até agora se mantinham, em muitos casos, com motivos muito justificados de defesa, na negação.
- Há alguma editora brasileira interessada em publicar seu livro?
- O livro é ainda uma novidade na Argentina. Espero que alguma editora brasileira se interesse. Seria uma grande alegria e um orgulho para mim.
- Há algum cineasta interessado em adaptar seu romance para o cinema?
- Há algumas propostas. Mas nada em concreto por enquanto. Só uma opinião geral sobre a riqueza de imagens do romance e o bom que seria poder levá-lo ao cinema.
Saiba mais:
http://fiebrenegra.blogspot.com/

http://www.educar-argentina.com.ar/CORIA/coria.htm

http://www.concepto19.com/blogs/fiebrenegra/prensa/newsweek.htm

http://www.concepto19.com/blogs/fiebrenegra/prensa/pagina12.htm

http://mqh.blogia.com/2005/050505-donde-estan-los-negros.php

http://www.latinoamerica-online.info/soc03/afro01.03.html

http://rapidshare.com/files/135742754/rolon_Aug_7.wma
"Meus antepassados dormem na minha língua, formam minhas palavras. Pensamentos que não pensei me sustentam e me orientam. É a minha cultura! "
http://www.orunmila.org.br/