03 julho, 2009

Quando Sísifo finalmente morreu e recebeu a sua sentença, toda a humanidade foi igualmente penalizada: todos os dias, o mesmo de sempre.
Embora haja o momento do rolar ladeira abaixo pela rocha, a alguns mortais cabe uma rocha tão pesada que, extenuados ao fim da tarefa, apenas olham o trabalho se desfazendo – e dia após dia, é igual, é igual, é igual, dez cem mil iguais, dez mil vezes o mesmo castigo. E a alma é embotada pela monotonia.
Outros mortais logram o tempo e alcançam o diverso – enquanto a rocha inevitavelmente volta ao ponto de partida, vivem uma poesia, um afeto, um prazer. A alma viceja com uma nova melodia, floresce com uma idéia original.

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