30 novembro, 2008

Papo cabeça - "Seu Carlos, é o seguinte..."

Enviada por Carla Martoni - a long time ago.

29 novembro, 2008

Cuyá

             Cuyá

 

           Mantra entre naus e gentios

           Ausente estás, Deuses meus

           Caer en la cuenta o qaddar, o mar bravio

           Ademais, certos estavam os caldeus

           Rogar o tekameli diante dos desafios

           Outros que não os teus

           Ler as qasidas, codas na tabla solo

           Atrever o berceuse, o lótus

                                      Maurice.

27 novembro, 2008

Raridades fotográficas

E-mail enviado por Mayra Lamy
Aos amantes da fotografia e da história.
   
Baú com raridades históricas do século 20 acaba de ser aberto na internet. Dona de um acervo com alguns dos flagrantes fotográficos mais importantes dos últimos 150 anos, a revista norte-americana Life, que não circula mais em papel desde 2007, inaugurou na quarta um serviço com 2 milhões de fotos de seu arquivo – o projeto prevê mais 8 milhões. E tudo de graça, em alta resolução e ao alcance do mouse de qualquer pessoa. Um
Um
ba parceria com o Google, o http://images.google.com/hosted/life permite, por meio de buscas, acessar registros feitos desde 1860, como um flagrante de Santos Dumont em 1900 sobrevoando Paris ou um retrato de Lenin datado de 1918, época da Revolução Russa. Mas o forte mesmo é a partir de 1936, quando a revista foi lançada. (...)
  Para continuar a ler esta matéria, publicada no jornal Estadão em 24/11/08 clique em:
.... 

a ir direto ao site de fotos da LIFE, clique em: http://images.google.com/hosted/life
Pa
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26 novembro, 2008

Inundação

Impossível ficar indiferente à tragédia das populações de Santa Catarina causada pelas chuvas desta semana. Não que outras tragédias não me afetem, fui ensinada a me colocar na pele dos outros, principalmente quando o outro sofre – curiosa essa moral cristã, não aprendi a sentir a felicidade do outro, somente a sofrer as suas penas. Ocorre que me abalam muito mais essas tragédias de inundações, a água me seduz e me amedronta, sob uma superfície com aparência serena e tranqüila de um rio pode haver o perigo de uma correnteza.
Meus piores pesadelos são com a água, tempestades, inundações, afogamentos, maremotos e ondas gigantes; também meus sonhos mais aprazíveis são com a água, cachoeiras, rios límpidos, marolas, transparências e reflexos da luz na superfície. Disse-me um pai de santo que sou filha de Oxum – e fui ver quem era a orixá e me identifiquei com ela – essa poderia ser uma explicação da minha relação dicotômica com a água.
Outra explicação, mais racional, está na minha história e no ambiente em que cresci: em Sorocaba – palavra do tupi-guarani que significa terra rasgada, rasgada por inúmeros córregos, riachos e rios – o quintal da minha casa dava num arroio, o Regão, que na infância de meus pais era o local melhor para se refrescar no verão, mas que a estupidez humana encheu de dejetos e acabou com os brinquedos infantis. O Regão desembocava num rio maior que, para ir e voltar da escola, muitos tínhamos que cruzar, valendo-nos de uma ponte precária construída com vigas e pranchas de madeira. Na época das chuvas o rio se fortalecia e às vezes, depois de uma borrasca, ficava tão cheio que suas águas ficavam na altura do corrimão da ponte. Um ou outro ousava desafiar a correnteza quando o nível da água estava pelas canelas de quem passava sobre a ponte, mas um dia Maria Rosa foi levada; dias depois seu corpo foi encontrado enroscado numa cerca de arame farpado, muito longe da ponte, já meio comido pelos urubus. Não conheci Maria Rosa, nem sei se esse era mesmo o seu nome, mas a história dela resultou numa reverência respeitosa às forças das águas, quando atravessava a ponte a caminho da escola saudava o rio que corria manso sob a ponte, não me enganarei com a água.
No jornal de ontem (Folha de São Paulo), entre as fotografias do mar de lama que inunda Santa Catarina, a água barrenta do Itajaí-Açu está na altura do peitoril da janela de uma casinha branca, as cortinas levantadas indicam que a água está dentro da casa também; na primeira página as vacas de uma fazenda parecem querer entrar na casa sede. E o alto número anunciado de mortos e desabrigados, Marias Rosas contemporâneas, tantas ao mesmo tempo, provável conseqüência da ocupação imprudente do solo pela humanidade.

Mês da Consciência Negra - Show de Fanta Konate e Petit Mamady Keita

Prezados Amigos,

Finalizando o mês da Consciência Negra de 2008, convidamos para o show de Fanta Konate e Petit Mamady Keita :


27 de Novembro de 2008 às 20h

Centro Cultural da Juventude
Av. Deputado Emilio Carlos, 3641
Vila Nova Cachoeirinha 

Secretaria Municipal de Cultura
Centro Cultural da Juventude
Fone:3984-2466
blog CCJ:


Vídeos de Fanta Konate e Petit Mamady Keita 




http://br.youtube.com/watch?v=cCa1ep-xC3U  (Iniciação de Petit Mamady)

http://www.youtube.com/watch?v=LftVba-O4SE  (com Orquestra Tom Jobim)

http://www.youtube.com/watch?v=ezEzXZ0SOxY (com Rita Ribeiro no show de Simone Sou)


http://br.youtube.com/watch?v=_KNBV78OI64 (com Rita Ribeiro no show de Simone Sou 2)


Vídeos da  Biomusica Sem Fronteiras


Atenciosamente,

Luis Kinugawa



Ouvir faixas do CD: www.myspace.com/fantakonate
Telefone: 11 3368-6049
Skype : djembedon1

25 novembro, 2008

Child rights in one minute - UNICEF

Videos: Child rights in one minute

Young people from around the planet have written, directed and produced one-minute films about the Convention of the Rights of the Child. Each film represents a right and shows how it is met or denied in communities across Africa, Asia, the Middle East, Latin America and Europe. See what young filmmakers from around the world have to say about the CRC.

Link

http://www.unicef.org/knowyourrights/discuss_videos.php






    24 novembro, 2008

    Salada de frutas por Alice Ruiz

    Alice Ruiz gostaria de convidá-los.


    27/11/08


    20:00

    Mais um livro da coleção haikais, editado pela Dulcinéia Catadora.

    Na Mercearia São Pedro, Rua Rodésia, 54, Vila Madalena, São Paulo.








    UUUUÒÒÒÒÒÒÒÒÒÒNNNNNNNNNNNMMMMMM - Repitam! UUUUUÒÒÒÒÒÒNNNNNNNNMMMMMM

    Negros e Alvos


    Caros,

    Estão abertas as inscrições para o 1º Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos



    Inscrições
    Estúdio Madalena +55 11 3473-5410 workshops@estudiomadalena.com.br
    Centro Cultural de Espanha em São Paulo +55 11 3822-2627 cultura3@ccebrasil.org.br
    Galeria Olido +55 11 3334-0001

    Crônicas Mesoperiféricas II por Rogério Nogueira

    Crônicas Mesoperiféricas II

    Vivo na periferia há uns 7 anos. Na verdade, entre idas e vindas, quase uma vida toda. Chamo-a, na verdade, de Mesoperiferia, por localizar-se entre periferias e ter (quase) uma ligação direta com o Centro. Essa ligação é imaginária, pois o Centro também é mesoperiférico e lá se encontram, na maior parte do tempo, esses habitantes diversos e complexos em busca de uma identidade perdida. Ainda por aqui, alguns eventos se esforçam para sobreviver, são os chamados “tempos de” ou “épocas de”

    Época de quadrado, subdivididos espécies como: peixinho, pipa, o próprio quadrado, os nobres maranhões ou mesmo uma capucheta, em extinção há muito tempo. Os tempos para esses eventos são normalmente os das férias escolares. Daí também...

    Época da bolinha de gude, que devido ao asfaltamento das ruas, poucas são as modalidades que podem ser jogadas pelas crianças e jovens. A modalidade caçapa que necessitava de quatro buracos no chão para ser disputada só pode acontecer ao redor dos poucos campos de várzeas ainda resistentes. Sua regra era simples e oral, o que possibilitava sempre pequenas alterações no decorrer de uma partida. Alterações sempre sugeridas pelos grandões na hora em que iam perder a peleja. A modalidade paredão ainda dá pra jogar, pois, como o nome já diz, basta uma parede para se concretizar. Mas os carros e as motos dominam as ruas e calçadas da região, disputando os espaços com os raros jogares que ainda se lembram de como joga aquele jogo...

    Época do Taco... na verdade, essa modalidade ainda consegue sobreviver pois não tem um período fixo para acontecer. Acontece como uma epidemia salutar. Se os jovens percebem que numa rua próxima estão jogando, logo uma legião de tacos e bolinhas aparecem na Meso aos montes. O aspecto inovador deu-se pela inclusão de duas garrafas pets como alvo, substituindo as antigas casinhas feitas de madeira. Nela são depositados cerca de 200 ml de água para ficar fixa no chão, o que dificulta ser derrubada pela bola arremessada pela dupla adversária. Entretanto, os tacos e as regras são as mesmas, também transmitidas oralmente pelos mais velhos, que viveram a época de ouro do jogo de taco.

    Enfim, existem outras épocas, como a do peão, rara... a de brincadeiras de rua como: mana-mula ou pula-cela, pega-pega e esconde-esconde, mãe-da-rua, pedrinha ou cinco marias e muitas outras...algumas vezes brincadas nos pátios dos colégios...

    Lembro-me, então, dos fins de semana, quando deixava o Centro onde morava para vir a Mesoperiferia. E brincar de tudo isso e mais um pouco.

    22 novembro, 2008

    Teoria do Medalhão

    foto extraída do site: ABL - Machado de Assis, sentado, o segundo da esquerda para a direita

    Gostaríamos de render nossas homenagens ao "bruxo do Cosme Velho", o que diria hoje, Machado de Assis, do próprio Cosme Velho?, dos disabores mundiais?, do narcisismo midiático?, do governo?, dos costumes?. Este ano eu passeei na chuva pelo Cosme Velho e pude observar, ao perambular pelo Rio, que diversos museus e centros culturais do Rio de Janeiro promoveram uma série de debates, passeios históricos com ênfase em sua obra, palestras sobre a vida e a obra. A Revista de História da Biblioteca Nacional, edição de setembro de 2008, publicou extensa matéria sobre o autor. Em São Paulo poucas foram as atividades, com exceção às atividades do Museu da Língua Portuguesa. Abaixo, segue o cronograma de atividades da Academia Brasileira de Letras e segue o texto "Teoria do Medalhão", como diria José Dias, atualíssimo!.

    http://www.machadodeassis.org.br/

    http://www.academia.org.br/

    No dia 25 de novembro, o 9º Ciclo de Conferências da Academia, prossegue com conferência

    ministrada pelo Professor João Adolfo Hansen sobre "A política em Machado de Assis".

    No dia 2 de dezembro, a palestra estará a cargo da pesquisadora Maria Clara Bingemer e do Acadêmico Antonio Olinto, que discorrerão sobre "A religião em Machado de Assis".

    No dia 9 de dezembro, o Acadêmico Candido Mendes de Almeida falará sobre "A filosofia em Machado de Assis".

    A conferência de encerramento do 9º Ciclo da ABL de 2008 ocorrerá no dia 16 de dezembro e estará a cargo do Acadêmico Alberto Venancio Filho, com o tema "Machado de Assis, presidente da ABL".


    LITERATURA BRASILEIRA
    Textos literários em meio eletrônico
    Teoria do medalhão, de Machado de Assis

    Obra Completa, de Machado de Assis, vol. II,
    Nova Aguilar, Riode Janeiro, 1994.


    Diálogo




    - Estás com sono?

    - Não, senhor.

    - Nem eu; conversemos um pouco. Abre a janela. Que horas são?

    - Onze.

    - Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um anos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos bigodes, alguns namoros...

    - Papai...

    - Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes.
    Senta-te e conversemos. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura, na
    imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso destino. Os mesmos Pitt e Napoleão, apesar de precoces, não foram tudo aos vinte e um anos. Mas qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou pelo menos notável, que te levantes acima da obscuridade comum. A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há
    planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante.

    - Sim, senhor.

    - Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também é de boa prática social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o esforço da nossa ambição. É isto o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.

    - Creia que lhe agradeço; mas que ofício, não me dirá?

    - Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade; faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além das esperanças que deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende. És moço, tens naturalmente o ardor, a exuberância, os improvisos da idade; não os rejeites, mas modera-os de modo que aos quarenta e cinco anos possas entrar francamente no regime do aprumo e do compasso. O sábio que disse: "a gravidade é um mistério do corpo", definiu a compostura do medalhão. Não confundas essa gravidade com aquela outra que, embora resida no aspecto, é um puro reflexo ou emanação do espírito; essa é do corpo, tão-somente do corpo, um sinal da natureza ou um jeito da vida. Quanto à idade de quarenta e cinco anos...

    - É verdade, por que quarenta e cinco anos?

    - Não é, como podes supor, um limite arbitrário, filho do puro capricho; é a data normal do fenômeno. Geralmente, o verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinqüenta anos, conquanto alguns exemplos se dêem entre os cinqüenta e cinco e os sessenta; mas estes são raros. Há-os também de quarenta anos, e outros mais precoces, de trinta e cinco e de trinta; não são, todavia, vulgares. Não falo dos de vinte e cinco anos: esse madrugar é privilégio do gênio.

    - Entendo.

    - Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o cuidado nas idéias que houveres de nutrir para uso
    alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente; coisa que entenderás bem, imaginando, por exemplo, um ator
    defraudado do uso de um braço. Ele pode, por um milagre de artifício, dissimular o defeito aos olhos da platéia; mas era muito
    melhor dispor dos dois. O mesmo se dá com as idéias; pode-se, com violência, abafá-las, escondê-las até à morte; mas nem
    essa habilidade é comum, nem tão constante esforço conviria ao exercício da vida.

    - Mas quem lhe diz que eu...

    - Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Não me
    refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina, e vice-versa, porque esse fato, posto
    indique certa carência de idéias, ainda assim pode não passar de uma traição da memória. Não; refiro-me ao gesto correto e
    perfilado com que usas expender francamente as tuas simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das botas novas. Eis aí um sintoma eloqüente, eis aí uma esperança, No entanto, podendo acontecer que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas idéias próprias, urge aparelhar fortemente o espírito. As idéias são de sua natureza espontâneas e súbitas; por mais que as sofreemos, elas irrompem e precipitam-se. Daí a certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente delicado, distingue o medalhão completo do medalhão incompleto.

    - Creio que assim seja; mas um tal obstáculo é invencível.

    - Não é; há um meio; é lançar mão de um regime debilitante, ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos, etc. O voltarete, o dominó e o whist são remédios aprovados. O whist tem até a rara vantagem de acostumar ao silêncio, que é a forma mais acentuada da circunspecção. Não digo o mesmo da natação, da equitação e da ginástica, embora elas façam repousar o cérebro; mas por isso mesmo que o fazem repousar, restituem-lhe as forças e a atividade perdidas. O bilhar é excelente.

    - Como assim, se também é um exercício corporal?

    - Não digo que não, mas há coisas em que a observação desmente a teoria. Se te aconselho excepcionalmente o bilhar é porque as estatísticas mais escrupulosas mostram que três quartas partes dos habituados do taco partilham as opiniões do mesmo taco. O passeio nas ruas, mormente nas de recreio e parada, é utilíssimo, com a condição de não andares desacompanhado, porque a solidão é oficina de idéias, e o espírito deixado a si mesmo, embora no meio da multidão, pode adquirir uma tal ou qual atividade.

    - Mas se eu não tiver à mão um amigo apto e disposto a ir comigo?

    - Não faz mal; tens o valente recurso de mesclar-te aos pasmatórios, em que toda a poeira da solidão se dissipa. As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar, ou por qualquer outra, razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim; e, não obstante, há grande conveniência em entrar por elas, de quando em quando, não digo às ocultas, mas às escâncaras. Podes resolver a dificuldade de um modo simples: vai ali falar do boato do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa, de qualquer coisa, quando não prefiras interrogar diretamente os leitores habituais das belas crônicas de Mazade; 75 por cento desses estimáveis cavalheiros repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é grandemente saudável. Com este regime, durante oito, dez, dezoito meses - suponhamos dois anos, - reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, à sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum. Não trato do vocabulário, porque ele está subentendido no uso das idéias; há de ser naturalmente simples, tíbio, apoucado, sem notas vermelhas, sem cores de clarim...

    - Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

    - Podes; podes empregar umas quantas figuras expressivas, a hidra de Lerna, por exemplo, a cabeça de Medusa, o tonel das
    Danaides, as asas de Ícaro, e outras, que românticos, clássicos e realistas empregam sem desar, quando precisam delas.
    Sentenças latinas, ditos históricos, versos célebres, brocardos jurídicos, máximas, é de bom aviso trazê-los contigo para os
    discursos de sobremesa, de felicitação, ou de agradecimento. Caveant consules é um excelente fecho de artigo político; o
    mesmo direi do Si vis pacem para bellum. Alguns costumam renovar o sabor de uma citação intercalando-a numa frase nova,
    original e bela, mas não te aconselho esse artifício: seria desnaturar-lhe as graças vetustas. Melhor do que tudo isso, porém, que afinal não passa de mero adorno, são as frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas consagradas pelos anos,
    incrustadas na memória individual e pública. Essas fórmulas têm a vantagem de não obrigar os outros a um esforço inútil. Não as relaciono agora, mas fá-lo-ei por escrito. De resto, o mesmo ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado. Quanto à utilidade de um tal sistema, basta figurar uma hipótese. Faz-se uma lei, executa-se, não produz efeito, subsiste o mal. Eis aí uma questão que pode aguçar as curiosidades vadias, dar ensejo a um inquérito pedantesco, a uma coleta fastidiosa de documentos e observações, análise das causas prováveis, causas certas, causas possíveis, um estudo infinito das aptidões do sujeito reformado, da natureza do mal, da manipulação do remédio, das circunstâncias da aplicação; matéria, enfim, para todo um andaime de palavras, conceitos, e desvarios. Tu poupas aos teus semelhantes todo esse imenso aranzel, tu dizes simplesmente: Antes das leis, reformemos os costumes! - E esta frase sintética, transparente, límpida, tirada ao pecúlio comum, resolve mais depressa o problema, entra pelos espíritos como um jorro súbito de sol.

    - Vejo por aí que vosmecê condena toda e qualquer aplicação de processos modernos.

    - Entendamo-nos. Condeno a aplicação, louvo a denominação. O mesmo direi de toda a recente terminologia científica; deves
    decorá-la. Conquanto o rasgo peculiar do medalhão seja uma certa atitude de deus Término, e as ciências sejam obra do
    movimento humano, como tens de ser medalhão mais tarde, convém tomar as armas do teu tempo. E de duas uma: - ou elas
    estarão usadas e divulgadas daqui a trinta anos, ou conservar-se-ão novas; no primeiro caso, pertencem-te de foro próprio; no segundo, podes ter a coquetice de as trazer, para mostrar que também és pintor. De outiva, com o tempo, irás sabendo a que
    leis, casos e fenômenos responde toda essa terminologia; porque o método de interrogar os próprios mestres e oficiais da
    ciência, nos seus livros, estudos e memórias, além de tedioso e cansativo, traz o perigo de inocular idéias novas, e é radicalmente falso. Acresce que no dia em que viesses a assenhorear-te do espírito daquelas leis e fórmulas, serias provavelmente levado a empregá-las com um tal ou qual comedimento, como a costureira esperta e afreguesada, - que, segundo um poeta clássico,

    Quanto mais pano tem, mais poupa o corte,
    Menos monte alardeia de retalhos;

    e este fenômeno, tratando-se de um medalhão, é que não seria científico.

    - Upa! que a profissão é difícil!

    - E ainda não chegamos ao cabo.

    - Vamos a ele.

    - Não te falei ainda dos benefícios da publicidade. A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar à força de pequenos mimos, confeitos, almofadinhas, coisas miúdas, que antes exprimem a constância do afeto do que o atrevimento e a ambição. Que D. Quixote solicite os favores dela mediante, ações heróicas ou custosas, é um sestro próprio desse ilustre
    lunático. O verdadeiro medalhão tem outra política. Longe de inventar um Tratado científico da criação dos carneiros, compra
    um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos. Uma
    notícia traz outra; cinco, dez, vinte vezes põe o teu nome ante os olhos do mundo. Comissões ou deputações para felicitar um
    agraciado, um benemérito, um forasteiro, têm singulares merecimentos, e assim as irmandades e associações diversas, sejam
    mitológicas, cinegéticas ou coreográficas. Os sucessos de certa ordem, embora de pouca monta, podem ser trazidos a lume,
    contanto que ponham em relevo a tua pessoa. Explico-me. Se caíres de um carro, sem outro dano, além do susto, é útil
    mandá-lo dizer aos quatro ventos, não pelo fato em si, que é insignificante, mas pelo efeito de recordar um nome caro às afeições gerais. Percebeste?

    - Percebi.

    - Essa é publicidade constante, barata, fácil, de todos os dias; mas há outra. Qualquer que seja a teoria das artes, é fora de
    dúvida que o sentimento da família, a amizade pessoal e a estima pública instigam à reprodução das feições de um homem amado ou benemérito. Nada obsta a que sejas objeto de uma tal distinção, principalmente se a sagacidade dos amigos não achar em ti repugnância. Em semelhante caso, não só as regras da mais vulgar polidez mandam aceitar o retrato ou o busto, como seria desazado impedir que os amigos o expusessem em qualquer casa pública. Dessa maneira o nome fica ligado à pessoa; os que houverem lido o teu recente discurso (suponhamos) na sessão inaugural da União dos Cabeleireiros, reconhecerão na compostura das feições o autor dessa obra grave, em que a "alavanca do progresso" e o "suor do trabalho" vencem as "fauces hiantes" da miséria. No caso de que uma comissão te leve a casa o retrato, deves agradecer-lhe o obséquio com um discurso cheio de gratidão e um copo d'água: é uso antigo, razoável e honesto. Convidarás então os melhores amigos, os parentes, e, se for possível, uma ou duas pessoas de representação. Mais. Se esse dia é um dia de glória ou regozijo, não vejo que possas, decentemente, recusar um lugar à mesa aos reporters dos jornais. Em todo o caso, se as obrigações desses cidadãos os retiverem noutra parte, podes ajudá-los de certa maneira, redigindo tu mesmo a notícia da festa; e, dado que por um tal ou qual escrúpulo, aliás desculpável, não queiras com a própria mão anexar ao teu nome os qualificativos dignos dele, incumbe a notícia a algum amigo ou parente.

    - Digo-lhe que o que vosmecê me ensina não é nada fácil.

    - Nem eu te digo outra coisa. É difícil, come tempo, muito tempo, leva anos, paciência, trabalho, e felizes os que chegam a entrar na terra prometida! Os que lá não penetram, engole-os a obscuridade. Mas os que triunfam! E tu triunfarás, crê-me. Verás cair as muralhas de Jericó ao som das trompas sagradas. Só então poderás dizer que estás fixado. Começa nesse dia a tua fase de ornamento indispensável, de figura obrigada, de rótulo. Acabou-se a necessidade de farejar ocasiões, comissões, irmandades; elas virão ter contigo, com o seu ar pesadão e cru de substantivos desadjetivados, e tu serás o adjetivo dessas orações opacas, o odorífero das flores, o anilado dos céus, o prestimoso dos cidadãos, o noticioso e suculento dos relatórios. E ser isso é o principal, porque o adjetivo é a alma do idioma, a sua porção idealista e metafísica. O substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo do vocabulário.

    - E parece-lhe que todo esse ofício é apenas um sobressalente para os deficits da vida?

    - Decerto; não fica excluída nenhuma outra atividade.

    - Nem política?

    - Nem política. Toda a questão é não infringir as regras e obrigações capitais. Podes pertencer a qualquer partido, liberal ou
    conservador, republicano ou ultramontano, com a cláusula única de não ligar nenhuma idéia especial a esses vocábulos, e
    reconhecer-lhe somente a utilidade do scibboleth bíblico.

    - Se for ao parlamento, posso ocupar a tribuna?

    - Podes e deves; é um modo de convocar a atenção pública. Quanto à matéria dos discursos, tens à escolha: - ou os negócios
    miúdos, ou a metafísica política, mas prefere a metafísica. Os negócios miúdos, força é confessá-lo, não desdizem daquela
    chateza de bom-tom, própria de um medalhão acabado; mas, se puderes, adota a metafísica; - é mais fácil e mais atraente.
    Supõe que desejas saber por que motivo a 7ª companhia de infantaria foi transferida de Uruguaiana para Canguçu; serás ouvido tão-somente pelo ministro da guerra, que te explicará em dez minutos as razões desse ato. Não assim a metafísica. Um discurso de metafísica política apaixona naturalmente os partidos e o público, chama os apartes e as respostas. E depois não obriga a pensar e descobrir. Nesse ramo dos conhecimentos humanos tudo está achado, formulado, rotulado, encaixotado; é só prover os alforjes da memória. Em todo caso, não transcendas nunca os limites de uma invejável vulgaridade.

    - Farei o que puder. Nenhuma imaginação?

    - Nenhuma; antes faze correr o boato de que um tal dom é ínfimo.

    - Nenhuma filosofia?

    - Entendamo-nos: no papel e na língua alguma, na realidade nada. "Filosofia da história", por exemplo, é uma locução que deves empregar com freqüência, mas proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.

    - Também ao riso?

    - Como ao riso?

    - Ficar sério, muito sério...

    - Conforme. Tens um gênio folgazão, prazenteiro, não hás de sofreá-lo nem eliminá-lo; podes brincar e rir alguma vez. Medalhão não quer dizer melancólico. Um grave pode ter seus momentos de expansão alegre. Somente, - e este ponto é melindroso...

    - Diga...

    - Somente não deves empregar a ironia, esse movimento ao canto da boca, cheio de mistérios, inventado por algum grego da
    decadência, contraído por Luciano, transmitido a Swift e Voltaire, feição própria dos cépticos e desabusados. Não. Usa antes a chalaça, a nossa boa chalaça amiga, gorducha, redonda, franca, sem biocos, nem véus, que se mete pela cara dos outros, estala como uma palmada, faz pular o sangue nas veias, e arrebentar de riso os suspensórios. Usa a chalaça. Que é isto?

    - Meia-noite.

    - Meia-noite? Entras nos teus vinte e dois anos, meu peralta; estás definitivamente maior. Vamos dormir, que é tarde. Rumina
    bem o que te disse, meu filho. Guardadas as proporções, a conversa desta noite vale o Príncipe de Machiavelli. Vamos dormir.


    20 novembro, 2008

    Donzela Guerreira

    E se Obama fosse africano?

    Recebi e-mail de Marina Moraes Nabão e tomei a liberdade de postar o texto de Mia Couto.

    Por Mia Couto


    Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

    Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

    Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

    Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

    E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

    1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

    2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

    3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

    4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

    5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

    6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

    Inconclusivas conclusões

    Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

    Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

    A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

    Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

    No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

    Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

    Jornal “SAVANA” – 14 de Novembro de 2008

    19 novembro, 2008

    Obama, Zumbi dos Palmares e o despertar da Consciência Negra

    Obama, Zumbi dos Palmares e o despertar da Consciência Negra

    José de Souza Castro

    Um estudo baseado na Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação Seade e do Dieese, divulgado dois dias antes do Dia da Consciência Negra (20 de novembro), mostra que a situação do negro na porção mais rica do território brasileiro – a Região Metropolitana de São Paulo – melhorou, se comparada com 1998 e com a situação dos não-negros, mas a situação dos trabalhadores em geral piorou: o rendimento médio dos negros diminuiu 22,2% no período, para R$ 4,36 por hora trabalhada, e o dos não-negros caiu 27,4%, para R$ 8,98. Com isso, reduziu ligeiramente a desigualdade entre os dois grupos. Porém, o negro brasileiro está ainda longe de poder aspirar à presidência da República, como Barack Obama, nos Estados Unidos, pois quanto mais estuda, mais ele se distancia dos brancos com o mesmo grau de escolaridade no mercado de trabalho.

    Em 1926, no livro O Choque das Raças – título mudado depois para O Presidente Negro – Monteiro Lobato previu que um negro chegaria à presidência dos Estados Unidos em 2228. Barack Obama veio para confirmar sua previsão, com espantosos 220 anos de antecedência. Lobato não ousou prever quando isso ocorreria no Brasil, país considerado bem menos racista. Mas, como já se fala numa possível eleição de uma mulher em 2010, não será surpresa se tivermos também nosso primeiro presidente negro, se de fato Lula conseguir fazer de Dilma Rousseff a sua sucessora, quebrando um tabu histórico e abrindo caminho para novos avanços.

    Não se pode perder de vista, no entanto, essa realidade: no mercado de trabalho, como na política, a mulher brasileira, seja branca ou negra, não tem muito do que se orgulhar de nossa falta de preconceitos.

    O estudo revela que as mulheres, negras ou não, obtêm rendimentos menores que os homens de seu próprio segmento racial. Mas quando se comparam os rendimentos de mulheres não-negras com os de homens negros, os delas são menores em praticamente todas as faixas de escolaridade. No entanto, os rendimentos vão se igualando na medida em que se amplia o nível de escolaridade, porque despencam mais rapidamente os rendimentos dos negros.

    Ocorre que o negro com ensino superior completo recebe 29% menos do que ganha um trabalhador não-negro com a mesma escolaridade no mercado de trabalho da região pesquisada. Essa diferença é menor (16%) entre os trabalhadores com ensino fundamental incompleto e quase desaparece entre os empregados domésticos, quando os negros recebem em média R$ 3,01 por hora trabalhada e os não-negros R$ 3,23.

    No comércio, observa-se que os negros recebem 64,9% do rendimento dos não-negros. A desigualdade salarial é pior no setor de serviços, na indústria e na construção civil. Em 2007, os negros recebiam em média pouco mais da metade dos não-negros, nesses setores.

    Nos grupos ocupacionais de maior rendimento (gerência, direção e planejamento), os negros obtinham 57,3% da remuneração dos não-negros no mesmo grupo. Para quase se igualar com os trabalhadores brancos e de outras raças, os negros precisam exercer tarefas que exigem menor escolaridade, como os serviços gerais não qualificados. Ali, os negros recebem apenas 4,3% menos.

    Uma oportunidade de romper essa desigualdade é fazer como o mineiro Joaquim Benedito Barbosa Gomes, de Paracatu. Em 1984, depois de se formar em Direito pela Universidade de Brasília, ele entrou no Ministério Público Federal e, em 2003, foi nomeado pelo presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal. É o primeiro negro a ocupar esse cargo no Brasil, e recebe ali o mesmo salário dos outros 10 ministros brancos. Mas, até chegar lá, trabalhou como gráfico do Senado, oficial de chancelaria do Itamaraty, assessor jurídico do Serpro e consultor jurídico do Ministério da Saúde. É mestre e doutor em direito público pela Universidade de Paris-2. Ou seja, é uma exceção. E parece não aspirar à presidência da República, ao contrário de um colega branco, o presidente do Supremo, Gilmar Mendes.

    Mas, em que avançaram os negros, entre 1998 e 2007, na região mais rica do país? Nessa região, os negros representam cerca de um terço da População Economicamente Ativa (PEA). São 3,678 milhões de negros (ou 36,1% da força de trabalho disponível na região) e 6,511 milhões de não-negros. Mas, entre os desempregados, em 2007, 42,9% eram negros.

    Em 1998, a taxa de participação no mercado de trabalho de negros com idades entre 10 a 14 anos era de 10%. Essa taxa caiu para a metade em 2007. Diminuiu também em cerca de 10 pontos percentuais entre os negros na faixa de 15 e 17 anos, comparada com os não-negros.

    A taxa de desemprego dos negros correspondia a 17,6% e a dos não-negros a 13,3%, em 2007. A taxa entre as negras era de 22,7%.

    Os assalariados negros trabalham em média 44 horas semanais e os não-negros 42. Entre as mulheres, as negras trabalham 41 horas e as não-negras 40 horas.

    Entre os negros ocupados, 58,5% têm até o ensino médio incompleto, contra 37,6% dos não-negros. Dentre os que completaram o ensino médio ou que estão fazendo ou já se formaram em curso superior, 41,5% são negros e 62,4% não-negros. Está ruim para os negros, mas já foi pior. Em 1998, 54% dos negros ocupados possuíam apenas o ensino fundamental incompleto e 16,2% o médio completo ou o superior incompleto. Em 2007, essas proporções se equilibram: 35,1% e 37%, respectivamente.

    O fato é que o movimento dos negros pela igualdade social, inspirado na luta de Zumbi dos Palmares (1655-1695) contra a escravidão, tem tido algumas vitórias, mas a guerra está ainda longe de acabar. Pelo seu exemplo, Barack Obama talvez possa representar um reforço importante nessa luta, nos próximos quatro anos. Na minha opinião, o maior exemplo de Obama e de Joaquim Barbosa é a importância que eles deram a sua própria educação.

    Quando comemoram, com razão, mais um Dia da Consciência Negra, os descendentes dos escravos não podem perder seu sonho de liberdade, apenas porque o mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo não dá aos negros a mesma importância que confere aos descendentes de europeus e asiáticos que completaram o curso superior. Uma coisa é certa: as empresas brasileiras também vão acabar aprendendo, como já ocorre no mercado de trabalho dos Estados Unidos. 
     

    18 novembro, 2008

    Projeto Coisa Fina












    Gente,
    Olha que coisa linda essa baladinha. Nesta terça eles homenagearão o maestro Moacir Santos e de graça.
    Abraços


    DARFUR: BAN WELCOMES SUDANESE GOVERNMENT CEASEFIRE, PLAN TO DISARM MILITIAS

    DARFUR: BAN WELCOMES SUDANESE GOVERNMENT CEASEFIRE, PLAN TO DISARM MILITIAS

    New York, Nov 12 2008  4:10PM
    Secretary-General Ban Ki-moon has welcomed the Sudanese Government’s declaration today of an immediate ceasefire between its forces and the rebel movements in Darfur and also Khartoum’s stated plan to disarm allied militias operating in the war-torn region.

    “The Secretary-General stresses that the effectiveness of any ceasefire depends upon all parties demonstrating their commitment to a cessation of hostilities, particularly since past efforts to uphold a ceasefire in Darfur were not successful,” Mr. Ban’s spokesperson said in a statement.

    “He further emphasizes that the international community continues to have high expectations that the Government of Sudan and the rebel movements will make concrete progress towards a peaceful resolution to the conflict.”

    Rebel groups have been fighting Government forces in Darfur, an arid and impoverished region bordering Chad and the Central African Republic (CAR), since 2003. In those five years an estimated 300,000 people have been killed and 2.7 million others displaced from their homes.

    The Government forces have been supported by militiamen, known as the Janjaweed, who have been accused of human rights abuses in their attacks on villages and other civilian targets.

    Since the start of this year a joint United Nations-African Union peacekeeping mission (known as UNAMID) has been in place in Darfur to try to quell the violence and the humanitarian suffering.

    When it reaches full strength, UNAMID should have about 26,000 uniformed personnel, including just below 20,000 troops. But it currently has only around 10,000 personnel deployed, and senior UN officials have repeatedly called on countries to supply the remaining troops and equipment that are needed.

    An Egyptian heavy transport company, comprising 139 soldiers and 16 officers, arrived today in Nyala, the capital of South Darfur state, as part of UNAMID’s efforts to bolster its forces. The arrivals join an advance group of seven from that company who were already on the ground.

    The Egyptian company’s main task will be to support the distribution of cargo between sector logistics bases, the movement of bulk cargo such as water and fuel tankers, and the provision of transport and engineering capabilities.
    Nov 12 2008  4:10PM
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    For more details go to UN News Centre athttp://www.un.org/news

    UNU-IAS

    Putz!....justo agora que eu tinha combinado de tomar uma rodada de cerveja com alguns amigos, pois que não poderei deixá-los na mão, mas se alguém estiver passeando por Tokyo no dia 28 de novembro, já tem o que fazer!.


    On Friday the 28th of November, UNU-IAS is co-organising two events followed by a reception at the Elizabeth Rose Hall of the United Nations University in Aoyama, Tokyo. The first is a Workshop on Sectoral Linkages and Lessons Learnt on Access and Benefit Sharing (ABS): Moving the ABS Agenda Forwardwhich will begin at 9:30 and will end by 17:30. It will beimmediately followed by a Launch of the UNU-IAS Report: MDG on Reducing Biodiversity Loss and theCBD’s 2010 Target at 17:30 to 18:30. Both events will wrap-up with a reception from 18:30 to 19:30.

     

    We hope to be able to welcome you to UNU Headquarters in Tokyo on 28 November to what promises to be two very engaging events. We would appreciate receiving confirmation of your attendance by Thursday, 27 November 2008; kindly send an email toreception@ias.unu.edu or visit www.ias.unu.edu/eventsto register online. Please see below or the attached announcements for further information. For directions to UNU, visit http://www.unu.edu/access/.

     

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    Workshop on Sectoral Linkages and Lessons Learnt on Access and Benefit Sharing (ABS): Moving the ABS Agenda Forward

    Co-organized by Japan Bioindustry Association and United Nations University-Institute of Advanced Studies

     

    Date:  Friday, 28 November 2008

    Time:  9:30 to 17:30, followed by a reception

    Venue: Elizabeth Rose Hall, United Nations University, Aoyama, Tokyo

     

    Agenda:

    The year 2010 marks a significant milestone in the history of biodiversity conservation on the occasion of the 10th Conference of Parties to the Convention on Biological Diversity (CBD), which will be held in NagoyaJapan next October. 2010 will also be the ‘International Year on Biological Diversity’ as designated by the UN General Assembly. At the same time, two major agenda items facing global policy

    makers in the year 2010 are the finalisation of negotiations on an international regime on Access to genetic resources and Benefit Sharing (ABS) and preparation of a plan for strategic implementation of theCBD beyond 2010.

    International negotiations on ABS are now at a critical stage with less than 22 months to finalise the scope, elements and implementation provisions of the Regime. For the past nine years, the Japan Bioindustry Association and United Nations University-Institute of Advanced Studies have been jointly organising international workshops, highlighting various ABS issues. In line with this, the event will address the links betweenABS and sectoral issues by gathering experiences from other related processes such as the International Treaty on Plant Genetic Resources for Food and Agriculture (ITPGRFA). It will explore how ex-situ collections are dealing with ABS issues and will discuss the way forward on the negotiation process. The outcomes are intended to facilitate future discussions and

    negotiations on ABS and its mechanisms for an effectiveCOP- 10 meeting in Japan in 2010.

     

    Guest Speakers:

    Balakrishna Pisupati, United Nations Environment Programme (UNEP)

    Marie Schloen, International Treaty on Plant Genetic Resources for Food and Agriculture (ITPGRFA)

    David Smith, World Federation for Culture Collections (WFCC)

    Antony Taubmann, World Intellectual Property Organization (WIPO) (TBC)

     

    Registration:

    Registration is free and open to the public. To register, please use the online registration tool athttp://www.ias.unu.edu/sub_page.aspx?catID=8&ddlID=734 or for further information please contact: UNU-IAS Reception, Tel: +81 45-221-2300, Email: reception@ias.unu.edu

     

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    Launch of the UNU-IAS Report: MDG on Reducing Biodiversity Loss and theCBD’s 2010 Target

     

    Venue: Elizabeth Rose Hall, United Nations University, Aoyama, Tokyo  

    Date:  Friday, 28 November 2008 

    Time:  17:30 – 18:30, followed by a reception

     

    Background:

    This year, 2008, is very important to all of us who are working on conservation and development! We are at the mid-point of assessing our progress on achieving the Millennium Development Goals (MDGs) as well as preparing for the 2010 ‘Year of Biological Diversity’ emphasising the Convention on Biological Diversity (CBD) targets for reducing the rate of loss of biological diversity for poverty alleviation

    (popularly called the 2010 Targets).

    UNU-IAS is pleased to be launching this report titled “MDG on Reducing Biodiversity Loss and the CBD’s 2010 Target” at the UNU Headquarters in TokyoJapan on 28 November 2008. This will follow the successful launch inNew York in September 2008 on the sidelines of the High-Level Event on MDGs during the UN General Assembly Session.

    The Report highlights the links between the CBD 2010 targets and the MDG target on reducing biodiversity loss; it also identifies the challenges being faced by countries in responding to these targets from different perspectives and provides some policy options for consideration byMDG practitioners. With the limited focus on MDG 7, in particular Target 7 B, as detailed in the MDG National Reports 2008, the launch of this Report and the panel discussion are not only a timely but a much needed addition.

     

    Programme (TBC):

    17:30 - 17:35  Welcome remarks by UNU-IAS Director, Professor Zakri

    17:35 - 17:55  Presentation of the Report “MDG on Reducing Biodiversity Loss and the CBD’s 2010 Target”, Balakrishna Pisupati, Division for Environmental Law and Conventions, UNEP

    17:55 - 18:15  Panelists Remarks: Professor Akio Morishima, Japan Climate Policy Center, UNDP Representative (TBC)

    18:15 - 18:30  Q&A and Discussion followed by Vote of Thanks

    18:30 - 19:30  Reception

     

    To register for the event, please use the online registration too by visiting http://www.ias.unu.edu/sub_page.aspx?catID=8&ddlID=733 or contact UNU-IAS Reception, Tel: +81 45-221-2300, Email:reception@ias.unu.edu.

     

    Please see the attached announcement for further information. Visit http://www.ias.unu.edu/sub_page.aspx?catID=111&ddlID=710 to download a copy of the report.