24 novembro, 2008

Crônicas Mesoperiféricas II por Rogério Nogueira

Crônicas Mesoperiféricas II

Vivo na periferia há uns 7 anos. Na verdade, entre idas e vindas, quase uma vida toda. Chamo-a, na verdade, de Mesoperiferia, por localizar-se entre periferias e ter (quase) uma ligação direta com o Centro. Essa ligação é imaginária, pois o Centro também é mesoperiférico e lá se encontram, na maior parte do tempo, esses habitantes diversos e complexos em busca de uma identidade perdida. Ainda por aqui, alguns eventos se esforçam para sobreviver, são os chamados “tempos de” ou “épocas de”

Época de quadrado, subdivididos espécies como: peixinho, pipa, o próprio quadrado, os nobres maranhões ou mesmo uma capucheta, em extinção há muito tempo. Os tempos para esses eventos são normalmente os das férias escolares. Daí também...

Época da bolinha de gude, que devido ao asfaltamento das ruas, poucas são as modalidades que podem ser jogadas pelas crianças e jovens. A modalidade caçapa que necessitava de quatro buracos no chão para ser disputada só pode acontecer ao redor dos poucos campos de várzeas ainda resistentes. Sua regra era simples e oral, o que possibilitava sempre pequenas alterações no decorrer de uma partida. Alterações sempre sugeridas pelos grandões na hora em que iam perder a peleja. A modalidade paredão ainda dá pra jogar, pois, como o nome já diz, basta uma parede para se concretizar. Mas os carros e as motos dominam as ruas e calçadas da região, disputando os espaços com os raros jogares que ainda se lembram de como joga aquele jogo...

Época do Taco... na verdade, essa modalidade ainda consegue sobreviver pois não tem um período fixo para acontecer. Acontece como uma epidemia salutar. Se os jovens percebem que numa rua próxima estão jogando, logo uma legião de tacos e bolinhas aparecem na Meso aos montes. O aspecto inovador deu-se pela inclusão de duas garrafas pets como alvo, substituindo as antigas casinhas feitas de madeira. Nela são depositados cerca de 200 ml de água para ficar fixa no chão, o que dificulta ser derrubada pela bola arremessada pela dupla adversária. Entretanto, os tacos e as regras são as mesmas, também transmitidas oralmente pelos mais velhos, que viveram a época de ouro do jogo de taco.

Enfim, existem outras épocas, como a do peão, rara... a de brincadeiras de rua como: mana-mula ou pula-cela, pega-pega e esconde-esconde, mãe-da-rua, pedrinha ou cinco marias e muitas outras...algumas vezes brincadas nos pátios dos colégios...

Lembro-me, então, dos fins de semana, quando deixava o Centro onde morava para vir a Mesoperiferia. E brincar de tudo isso e mais um pouco.

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