03 novembro, 2008

Bartolomeu Campos de Queirós -

Por Marisa Lajolo.

Bartolomeu Campos de Queirós, escritor brasileiro, acabou de
ganhar, por unanimidade do júri, o IV Premio Iberoamericano SM de
Literatura Infantil e Juvenil, que lhe será entregue em dezembro
próximo, durante a Feira do Livro de Guadalajara no México.
Reproduzo abaixo, com algumas alterações, o pequeno texto com o
qual - como membro do Júri- o apresentei à imprensa (mexicana),
durante a proclamação dos resultados. Acho extremamente
importante ampla divulgação do prêmio; se os colegas acharem que
o texto abaixo pode ser útil na divulgação, façam o uso que
quiserem dele.
Marisa Lajolo . 26.10.2008

Bartolomeu Campos de Queirós - Bartô como tão carinhosamente é
chamado pelos amigos- nasceu há sessenta e quatro anos, numa
cidadezinha de Minas Gerais: cidadezinha qualquer, sem mar e sem
praias, porém com um mar de montanhas a seu redor. Hoje, Bartô
vive em Belo Horizonte.

Sua estréia na literatura deu-se em 1974, com a obra O peixe e o
pássaro . Já este seu primeiro livro ganhou de imediato um dos
mais importantes prêmios brasileiros para livros infantis: o Selo
de Ouro outorgado pela Fundação Nacional Livro Infantil e
Juvenil, a seção brasileira do IBBY.Este seu livro já fala dos
espaços largos, da beleza da vida , do miúdo e do cotidiano de
que continua, até hoje, a ocupar-se sua literatura

Em seus mais de 30 anos de dedicação à literatura, Bartô publicou
quase meia centena de livros: alguns estão traduzidos para outras
línguas, e muitos ganharam prêmios importantes, dentro e fora do
Brasil.

Alguns títulos dos livros de Bartolomeu já assinalam o caráter
exigente, profundamente plástico e sensorial de toda sua obra:
Entretantos, Antes e depois, Até passarinho passa, Para ler em
silencio, A rosa dos ventos . Outros títulos sublinham a intensa
musicalidade de sua literatura. Fruto de exigente trabalho com a
linguagem, muitas vezes a obra de Bartolomeu se aproxima dos
ritmos da poesia: trocadilhos e repetições envolvem os leitores:
De não em não, O guarda chuva do guarda, Formiga amiga, Pé de
sapo e sapato de pato.

Há mais ou menos dez anos, quando a literatura infantil começou a
fazer-se presente na universidade brasileira, a obra de
Bartolomeu inspirou não poucos mestrados e doutorados .
Investigando na produção do escritor mineiro temas como o lúdico,
o misterioso, o maravilhoso, ou o sentido do sagrado , os
trabalhos universitários testemunham a altíssima qualidade da
literatura de Bartô, qualidade que este IV Premio Interamericano
SM acaba de ratificar

Em uma tradição tão rica como a em que se inscreve a literatura
infantil brasileira - temos duas escritoras premiadas com o Hans
Christian Andersen- o prêmio agora atribuído a Bartolomeu tem uma
imensa importância : sublinha, por um lado, a identidade latino-
americana da cultura brasileira: como um dos poucos países de
nuestra América nos quais o espanhol não é a língua oficial,
algumas vezes a ultima flor do Lácio que nos exprime nos
separa de nossos irmãos de continente.

Por outro lado, o reconhecimento de nossa ibero-americanidade –
proclamada e firmada pelo prestigioso prêmio que ora se confere
ao autor de Sete Luas e de Ciganos - é uma importante porta para
que todos os autores ibero-americanos, e com eles os leitores,
viajem do português para o espanhol e vice-versa e assim a
literatura contribua cada vez mais para a percepção da beleza das
identidades mestiças e em trânsito, como são todas as identidades
ibero-americanas.

Submitted by
"Marisa Lajolo" <marisal@uol.com.br>

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