01 outubro, 2008

Lanny Gordin na República Aurora...

                                                                           créditos: Larrissa Gabarra.
    
        Anos atrás, alguns amigos encontraram o Lanny Gordin em estado emocional, psicológico, financeiro muito abalado, não vou pormenorizar esta parte porque posso cometer incorreções, mas creio que sequer conseguia tocar. Então, Mário, Luciano, Denise...antigos moradores da rua Fortunato resolveram o acolher, ministraram a ele acompanhamento psicológico, sabiam que o melhor para ele era criar um ambiente no qual pudesse voltar a fazer o que mais sabe, tocar.
        Lanny começou a tocar em pequenos bares em São Paulo, alguns músicos apareceram e começaram a auxiliá-lo, entre eles Chico César.
        Eu, então estudante de economia em Ribeirão Preto fui visitá-los com meu irmão, Lanny começou a tocar diversas músicas e perguntei a ele, numa forma característica que utilizo para me aproximar, a ingenuidade: "Deve ser difícil tocar?", eis que me respondeu algo que jamais esqueço: "Depende como você encara, se encarar que vai ser difícil, será, aliás tudo na vida é assim".
       Saí de lá com a proposta de organizarmos um show em Ribeirão Preto. Tentamos conseguir uma canja em alguns bares da cidade; encontramos um bar na Av. Presidente Vargas onde funcionava uma livraria, pedimos aos músicos para que cedessem um espaço, foram gentis, mas não perderam a oportunidade de tirar uma onda quando Lanny pediu uma palheta emprestada, Lanny respondeu na guitarra. No Barmania a banda Sun Walk não cedeu espaço, foi uma pena. No dia seguinte tocou em um bar dentro da programação...não vou lembrar o nome agora, casa cheia, mas não muito, a TV local - EPTV o entrevistou, fizeram perguntas difíceis sobre o seu afastamento do cenário e Lanny respondeu: "Yo no creo en la brujas, pero que las hay, las hay". Foi um show memorável, um revival tropicalista, tocou Jimi Hendrix, fez algo raro, cantou. Fez uma palestra na Filô, contou histórias sobre o tropicalismo e sua relação com os Mutantes, relatou aos estudantes suas experiências e quando teve uma bad trip em Londres, pediu aos estudantes que tocassem um trecho de música na sua guitarra a cada um dos presentes, na sequência criou uma música com estes trechos que os estudantes haviam tocado.
       No dia seguinte estava no quintal da República Aurora e tocou forró com a Pimentinha do Forró, tocaram diversos músicos de Ribeirão Preto, Chabusco(Missionários do Blues), Guilherme Machado, Eula Hallack, Dilsão, se não me engano o AC (Moby Dick), Pira, entre outros. Para este show resolvemos cobrar um pouco a mais pela entrada, uns R$ 5,00, alguns reclamaram, o Lanny conseguiu alguns trocados adicionais. A República estava cheia, sempre ouço relatos de pessoas presentes que eu desconhecia, foi uma grande festa, das muitas que tivemos na República Aurora.
       Esta foto é da segunda turnê de Lanny por Ribeirão Preto, já em outra casa da República Aurora, surpreendentemente fez um show intimista, na foto aparecem da esq para direita, Mauro Moura, Fabinho(gaita), Pira(vocal), Dilsão(percussão), duas pessoas que não consigo identificar e o genial Lanny. Tocou algumas músicas, mas logo surgiu uma turma clamando por música eletrônica. O resto da história, vocês todos conhecem......
       Um grande abraço.
       Maurício.


Nenhum comentário:

Postar um comentário